quinta-feira, 26 de abril de 2007

Pesquisa revela - 3o mundo adora marcas globais

Lembra daquele ditado que diz que a grama do vizinho é sempre mais verde? Pois bem, do ponto de vista dos produtos que consumimos isso é a mais pura verdade. Quem afirma é a Synovate, empresa americana que fez uma ampla pesquisa com 13 mil pessoas, em 20 países emergentes, para saber quais as nossas marcas favoritas.

Nada menos do que 70% dos entrevistados admitiram que para elas os produtos feitos por empresas do seu país não são tão bons quanto os importados. Isso apareceu em todas as classes sociais, dos mais ricos aos mais pobres.

Isso acontece em parte pela percepção de que existe uma defasagem tecnológica entre as empresas dos países emergentes e as dos países desenvolvidos. Mas a principal explicação é mesmo o charme e status bem cultivados por marcas globais como Coca-Cola, Nike, McDonald’s, Starbucks e Sony. A idéia de qualidade desses produtos passa pelos atributos funcionais, é claro. Mas vai muito além, atingindo aspectos aspiracionais.

Em outras palavras, a pesquisa sugere que ansiamos por fazer parte do primeiro mundo, ter acesso a todas as inovações que nós imaginamos que habitam o cotidiano dos moradores das grandes cidades americanas ou européias. Que invejamos o estilo de vida desse povo. E por isso admiramos suas marcas e as incorporamos ao nosso dia a dia, na esperança de agregar às nossas identidades sociais parte dessa modernidade e progresso.

Será que é isso mesmo? ;-)

terça-feira, 24 de abril de 2007

Os consumidores estão mais poderosos - e criativos

As marcas precisam mesmo colocar as barbas de molho, porque os consumidores estão cada vez mais conscientes do poder que possuem - e mais criativos também.

Querem um exemplo? Na China, grupos de consumidores interessados em comprar o mesmo tipo de produto estão se reunindo em comunidades na Internet e combinando de irem às lojas juntos, ao mesmo tempo, para negociar a compra em pacote. Quem contou essa foi o interessante site de tendências Springwise.

Imagine a cena – várias pessoas entrando numa loja de eletrônicos e exigindo um baita desconto para comprar 15 ou 20 unidades da mesma câmera digital. Ou indo a uma concessionária para adquirir 10 carros de uma só vez. O comerciante vai pensar 2 vezes antes de negar o pedido, afinal ninguém gostaria de perder uma venda dessas, não é mesmo?

Em Nova Iorque, tem algo parecido acontecendo. Como as corridas de táxi para o aeroporto são muito caras, muita gente está entrando em comunidades na Internet para rachar o táxi. Se você encontrar uma ou duas pessoas que moram no mesmo bairro e precisam estar no aeroporto ao mesmo tempo em que você, o acordo está feito. Alguém chama o táxi, pegar os outros e no final a conta é dividida entre todo mundo.

A tendência de agrupamento dos consumidores para conseguir vantagens dos comerciantes é só mais uma prova de que os ventos agora sopram em outra direção. Quem insistir em ignorar essa realidade, pode pagar um preço alto – cedo ou tarde.

Quer ouvir esse texto no site da Band News FM? Então clique aqui!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Errei feio, mas um leitor consertou

Leitor do Blue Bus é bem informado, exigente e... bem humorado. Não deixa passar erro nenhum. Olha só o e-mail que recebemos hoje:

"Olá Pessoal do Blue Bus. Tudo bom? Hmm, nosso grande colunista Marinho, no dia 23.04, papou mosca quando no segundo bloco da sua coluna afirma que a designer Proenza Shouler é uma mulher. (...) Pequeno detalhe, Proenza é uma grife nova iorquina, feita por dois estilistas homens -dupla Jack McCollough e Lazaro Hernandez. Vai, é só um erro de concordância, mas para a gente que trabalha com moda ficou divertido. Ah, se precisarem publicar isso, seguindo as regras, 'tão autorizados. Continuem o bom trabalho, parabéns! Mariano Capote."


Não foi só um erro de concordância não, Mariano. Foi bem pior - eu confundi o nome de uma grife importante (na foto desfile da coleção de outono de 2007) com o de uma designer que não existe. Muito obrigado pela ajuda!

Blue Bus saiu da Band News FM. Mas eu fiquei.

Eu e o rádio temos uma longa história de amizade e companheirismo. Lembro que aos 10 anos de idade eu costumava ir para a cama com um imenso rádio transistor da minha avó e ficava escutando a Rádio Globo até o sono me derrubar. Ouvia o humorístico noturno e boa parte do último jornal - O Globo no Ar? O Seu Redator-Chefe? Não lembro mais o nome...

Dez anos depois, aos 20, já estudando Comunicação Social na PUC do Rio, fiz com entusiasmo o teste de estúdio convocado pelo professor de Radiodifusão. Mas já naquele tempo eu falava rápido demais e minha dicção era horrível. Não que eu sonhasse em ser radialista, mas o rádio já era uma paixão para mim, que cresci embalado por aquelas ondas.

Até que em 2005 nasceu a Band News FM e com ela o acordo com o Blue Bus. O espaço diário de 1 minuto e meio era ocupado pela Fernanda Romano, que comentava sobre Marketing Digital. Mas em junho, durante a cobertura do Festival de Cannes daquele ano, ficou combinado que eu também faria entradas ao vivo lá da França. Finalmente eu teria a chance de aparecer no rádio! Mas isso foi apenas o começo. Como muita gente deve lembrar, a Fernanda brilhou intensamente naquele festival, ganhando vários leões, inclusive o GP. Com essa visibilidade toda ela acabou recebendo uma oferta para trabalhar em Nova Iorque e não conseguiu manter o boletim diário na Band News FM. Eu então fiquei no lugar dela.

Na 6a feira passada, o acordo entre Blue Bus e a Band News FM foi encerrado. Mas a Band News sugeriu que eu continuasse com meus boletins na rádio. Conversei com Julio e Elisa e eles concordaram. Tudo em nome da minha velha paixão pelo rádio.

Por isso, de 2a a 6a, eu vou continuar minha jornada, fazendo uma força danada para controlar a dicção e a velocidade da fala. Se você ainda não escutou, dê um pulinho na minha página na Band News FM. Depois, vem aqui e diz o que achou, ok?

Uma blusa de 35 dólares que é luxo só

Outro dia caiu na minha mão uma matéria curiosíssima do Wall Street Journal. Falava sobre uma consumidora que tinha lucrado 629% em uma única semana, vendendo no eBay uma blusinha de seda que ela tinha comprado por apenas 35 dólares na Target, uma loja de descontos norte americana. Guardei o texto, certo de que daria uma boa coluna algum dia.

Na semana passada, uma repórter foi lá no escritório da BrandWorks conversar sobre luxo, tema que ela está estudando para uma matéria. Depois de falar quase 2 horas sobre o assunto e me despedir da jornalista, lembrei da reportagem do Journal. Juntando uma coisa com a outra, talvez desse para escrever uma coluna legal.


E foi assim que surgiu o texto de hoje no Blue Bus.


Arranhando o espanhol em Cartagena

Estou nesse momento na Colômbia, mais precisamente em Cartagena. Hoje, 2a feira, vou fechar o primeiro dia do Congresso Colombiano de Centros Comerciais, promovido pela Fenalco (Federação Nacional do Comércio) e pelo ICSC (International Council of Shopping Centers). O tema da minha palestra será 'Tendências do Varejo'.

Estão aqui profissionais da Venezuela, Peru, Equador, Panamá, Guatemala, Chile, Argentina, México e Brasil. Nesse tipo de evento eu faço a palestra mesmo em espanhol, sem vergonha de meter uma palavra ou outra em português de vez em quando. Afinal, de alguma coisa têm que valer as minhas aulas semanais com o Ives, meu professor de espanhol, certo? ;-) Falando sério - eles gostam do nosso esforço para falar o idioma deles. Afinal, em todo o continente, nós somos os únicos que falamos português, né? Depois eu falo mais sobre este evento.

A empregada 'com penso' deu o que falar

A coluna com a historinha da empregada que tinha um preço 'com penso' e outro 'sem penso' deu Ibope. Vários leitores mandaram e-mails para mim. Olhem só alguns trechos:

- Excelente história que de tão óbvia nos faz de imediato sorrir e relembrar inúmeros e fatos experiências pessoais vividas em ambientes empresarias, que criam um decálogo ou bula ou vademecum de valores, mas continuam com um medo louco da inteligência e da 'Ihnovação". (Roberto)

- Grande texto esse da empregada. Pertinente e atual. Hoje em dia, pensar em algumas empresas pode ser muito perigoso. Eu mesmo perdi um emprego por pensar demais e incomodar o cara na zona de conforto acima de mim. (Edu)

- Você colocou o dedo na ferida, infelizmente aberta. (Felice)

Obrigado a todos os que escreveram no blog ou por e-mail. Valeu!

quinta-feira, 19 de abril de 2007

A fantástica história da empregada que sabe o valor que tem

Ontem, 4ª feira, minha cunhada Alexandra ligou lá para casa para me contar uma historinha maravilhosa que ela ouviu de uma colega de turma no MBA da ESPM do Rio. Era sobre a entrevista que o pai da menina tinha feito com uma candidata a empregada doméstica. Lá pelas tantas o homem perguntou para a moça quanto ela queria ganhar. Ela respondeu que isso ia depender dele. Quer saber como essa conversa termina e que lições traz para nós, profissionais de marketing? Então dá um pulinho lá no Blue Bus nessa sexta. Eu garanto que o final é bem legal! ;-)

Troca de filmes pela web ameaça o negócio dos DVDs


Quando, outro dia, eu disse em uma roda de amigos que eu não faço download ilegal de músicas pela Internet e que costumo comprar nas lojas todos os CDs de música que eu escuto, as pessoas olharam para mim com ar de surpresa. Afinal, não são poucos os que baixam música sem pagar ou compram CDs piratas em camelôs.

Não é a toa que a indústria da música está numa crise de dar dó. Por aqui, as vendas despencam. Nos Estados Unidos também. Apenas nos primeiros 3 meses de 2007 a queda foi de 20% . No ano passado, nada menos do que 800 lojas de CDs fecharam as suas portas em território americano.

Na verdade, essas lojas todas não anteviram o tamanho do problema e nem se prepararam para enfrentá-lo. Mas o pesadelo ainda está longe do fim. O próximo pepino a ser descascado pelo setor é o crescimento do download de filmes. Apesar das vendas de DVDs ainda terem aumentado 5% no ano passado, o ritmo do crescimento está mais lento lá nos States.

Por isso, várias redes americanas estão testando o serviço de venda de downloads de filmes, para não serem pegas de calças curtas - de novo. O Wal-Mart, por exemplo, vendeu em fevereiro 3 mil filmes na sua primeira investida no setor. A Blockbuster já se prepara para começar a venda pela Internet até o final desse ano.

O download de filmes pela Internet, seja legal ou ilegal, depende de uma ampla base de clientes conectados por banda larga. Um relatório recente divulgado pelo site eMarketer revelou que o Brasil possui hoje cerca de 4 milhoes de lares com Internet de banda larga, mais do que países como o México e a Índia.

Ou seja, esse problema vai aterrisar também aqui no mercado brasileiro logo. É só uma questão de tempo. Por isso, é bom que as lojas que vendem DVDs e que já sofrem bastante com os piratas, pensem desde agora no que fazer, antes que a troca de filmes pela web se espalhe ainda mais.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Ainda os provadores (nota abaixo) - história de uma leitora

Oi Marinho! Lendo suas palavras, imediatamente me lembrei das situações em que fui seduzida pelas lojas com visual merchandising de encher os olhos (fachadas atrativas, comunicação interna harmônica, iluminação especial, ambientes aromatizados), mas cuja relação naufragou no teste do provador: eu, com algumas peças de roupas na mão para provar, fazendo malabarismo para não cair de costas levando junto a cortininha, ou para equilibrar as roupas naquele banquinho de criança e nos cabides em número insuficiente que as lojas colocam para você apoiar seus pertences e as roupas que está experimentando.

Conheço "n" histórias constrangedoras de amigos que caíram seminus para fora do provador por conta de malabarismo mal calculado (daí meu medo de pagar mico), e por essas e outras finalmente entendi o significado da palavra "provador": você de fato coloca à prova seus dotes de contorcionista, sua paciência e sua determinação em seguir em frente apesar da diversidade.

Bem que junto com a compra consumada eles poderiam oferecer uma massagem relaxante depois ;O) Abraços,

Cristina Rensi

Funcionário também é cliente

Foi lá pelo final do século 20 que o pacto de fidelidade entre empresas e empregados começou a se romper. Até então, permanecer muitos anos em um mesmo lugar era exemplo de virtude. Mas a tecnologia, a febre da redução de custos e a super valorização do novo quebraram a corrente. Jovens começaram a substituir os veteranos trazendo economia para as empresas – eles ganham menos e ainda correm mais. Funções foram extintas ou terceirizadas e enxugar a folha de pagamentos é considerado uma espécie de feito pelo qual os gestores ainda hoje recebem elogios e prêmios.

A reação dos funcionários demorou um pouco, mas chegou. Desfeita a ilusão de fazer longa carreira na mesma empresa, muitos executivos passaram a jogar mais para a platéia do que para o crescimento dos negócios dos patrões. Afinal, do prestígio adquirido no exercício do cargo depende agora a obtenção do próximo emprego e, mais importante, o tamanho do novo salário.

Em resumo, muitos funcionários responderam à crescente despersonalização do ambiente funcional ou arriscando muito pouco, para defender o emprego, ou buscando o brilho individual e resultados de curto prazo, para chamar a atenção de outras empresas e valorizar o passe.

Em ambientes como esses fica mesmo difícil atender bem aos desejos dos pobres consumidores. Antes de reinventar as estratégias de marketing, para atender as novas demandas de nossos clientes, talvez seja bom primeiro repensar nossos ambientes corporativos e, principalmente, as relações com nosso público interno.

terça-feira, 17 de abril de 2007

A hora e a vez dos provadores nas lojas de roupas

Você entra numa loja atraído pela bela vitrine, escolhe várias roupas cuidadosamente expostas nas prateleiras e vai até o provador. Esse é provavelmente o último passo antes do fechamento da venda. Mas é justamente aí que a porca torce o rabo. Porque os provadores são os espaços menos valorizados pelas lojas. Ou pelo menos eram. A verdadeira revolução na arquitetura das lojas para ampliar os provadores e criar lounges para os acompanhantes é o tema da coluna dessa 4ª feira, aqui no Blue Bus.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Americanos detestam propaganda pelo celular. E você?

O que você acha da idéia de receber torpedos com propaganda no seu celular? A maioria dos usuários dos telefones móveis detesta.

Pesquisa realizada pela Harris Interactive com consumidores americanos revelou que somente 10% dos usuários gostariam de receber mensagens de anunciantes em seus aparelhinhos. Ou seja, 90% dos entrevistados não estão nem um pouco interessados em publicidade pelo celular.

O problema é que está cada vez mais difícil falar com os consumidores por meio dos canais tradicionais de mídia. Cresce sem parar o volume de tarefas que precisamos executar todos os dias e falta tempo para ver televisão, ler jornais e revistas na mesma proporção de antes.

Por isso esse canal de comunicação é tão importante. Afinal, nos tornamos dependentes do celular a ponto de carregá-lo para toda parte.

Mas nem tudo está perdido. A pesquisa mostra que 1/3 dos entrevistados topariam receber propaganda no celular em troca de alguma vantagem, como descontos na conta do telefone, minutos grátis ou downloads de música ou vídeo.

Provavelmente os anunciantes terão que atender às exigências dos consumidores. As estimativas apontam para um crescimento superior a 1.000% na propaganda pelo celular até 2011, nos Estados Unidos. Resta saber se nós, brasileiros também saberemos explorar esse filão.

Para vender carros, não basta segurança. Tem que ter emoção.

Todos os dias chegam na minha caixa postal dezenas de newsletters de publicações internacionais. Acreditem - são muitas e dá uma agonia danada ignorá-las a semana toda. Sim, porque é no domingo que eu abro todas e leio as notícias de uma vez só, em busca dos temas para as 3 colunas do Blue Bus e dos 5 boletins da Band News FM.

Na semana passada, eu escrevi sobre a mudança de rota da Wal-Mart, que decidiu incorporar qualidade de vida ao apelo dos preços baixos. Nesse domingo me caiu nas mãos uma matéria da Advertising Age sobre a concorrência que a Volvo está promovendo, para deixar de falar apenas da segurança dos seus carros para também agregar elementos emocionais.

Achei que juntando um assunto com o outro e temperando com um importante relatório divulgado pela Accenture 3 anos atrás, isso daria um bom caldo. O resultado vocês podem ler hoje no Blue Bus.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Que falta faz Gentileza, nesse mundo individualista

Essa idéia já vem martelando na minha cabeça faz tempo - acho que em nosso mundo falta gentileza. Por isso gostei tanto da campanha que a TAM lançou alguns anos atrás, batendo justamente nessa tecla. Escrevi sobre os comerciais naquela época, pedi ao pessoal da TAM uma cópia dos filmes e exibi em várias palestras, como um bom exemplo.

Mas a gentileza da TAM foi embora, junto com a memória do Comandante Rolim. Hoje somos nós que esperamos pelo comandante na porta do avião e não o contrário. No último Natal a TAM conseguiu se superar, deixando escorrer pelo ralo tudo de bom que tinha acumulado nos últimos anos.

O espaço está aberto para quem quiser abraçar essa causa - a gentileza. E o momento não podia ser mais propício. Nessa 4a feira, dia 11 de abril, um sujeito excêntrico, chamado José Datrino, faria 90 anos se estivesse vivo. Quem tem mais de 30 anos e viveu no Rio, talvez se lembre dele pelo nome de 'Profeta Gentileza'. Marisa Monte escreveu uma linda música sobre essa pessoa que dedicou boa parte da sua vida à promoção da gentileza entre as pessoas.

Esse será o tema da minha coluna dessa 6a feira no Blue Bus. Como você já deve saber a essa altura do campeonato, a coluna costuma ser publicada lá pelas 11 e meia da manhã. Dá um pulinho , por gentileza...

O que você faz na hora do almoço?

O que você costuma fazer na hora do almoço? Para muita gente essa pode parecer uma pergunta estúpida. Afinal, as pessoas nessa parte do dia normalmente... almoçam.

Mas um número crescente de profissionais está aproveitando esse momento do dia para realizar tarefas que não conseguem fazer no resto da semana, por falta de tempo. No final do mês passado, o jornal Advertising Age publicou uma reportagem sobre executivos que abrem mão do restaurante para dedicar alguns instantes às suas vidas pessoais.

Muitos dos entrevistados aproveitam o almoço para praticar esportes, passear de bicicleta ou fazer ginástica. Outros usam esse espaço para investir em projetos individuais, como escrever um blog. E tem gente até que dá um pulo rapidinho em casa para passear com o cachorro.

Para vocês terem uma idéia, já existe até uma empresa, com 80 escritórios em todo o mundo, especializada em promover encontros entre solteiros justamente na hora do almoço. Desde que a empresa abriu as portas, em 1991, eles já providenciaram mais de 2 milhoes de encontros.

Uma coisa é certa – nesses tempos corridos em que vivemos, quando sobram compromissos e falta tempo para tudo o que precisamos ou queremos fazer, tirar uma hora de almoço é um luxo que cada vez menos gente pode desfrutar.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A Wal-Mart deixou de ser preço baixo todo dia, vejam só!


Um dos produtos da minha empresa, a BrandWorks, chama-se Trend Clipping. É uma seleção de textos publicados na imprensa internacional sobre varejo e consumo. A gente escolhe os 10 mais importantes, traduz e manda para o cliente.

Ontem eu estava revisando as matérias do mês de março, quando dei de cara com uma reportagem do The New York Times que falava sobre a guinada da Wal-Mart, que está abandonando o foco exclusivo em preços baixos todos os dias. O novo posicionamento é "ajudando as pessoas a economizar para que elas tenham uma vida melhor".

Resolvi escrever sobre isso na coluna de hoje no Blue Bus e no boletim da Band News FM. Para ler o Blue Bus, clique aqui (a coluna normalmente fecha o noticiário da manhã, lá pelas 11:30h). Para ouvir o boletim da Band News, clique aqui.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Elas passam a infância na frente da TV


Um estudo da Kaiser Family Foundation, revelou que as crianças americanas, de 2 a 12 anos, estão assistindo até 50 horas de comerciais de alimentos por ano. Uma boa parte dessa propaganda é de produtos pouco saudáveis – 1/3 são comerciais de balas e salgadinhos e 10% de redes de fast food. A conseqüência é o agravamento do problema da obesidade infantil, que já atinge 18% das crianças americanas em idade escolar.

Parte da culpa pelas crianças estarem tão expostas à propaganda é mesmo dos pais. Vocês acreditam que os americanos de 8 a 12 anos assistem a 1.250 horas de TV por ano? É como se essas crianças ficassem 52 dias inteiros na frente da TV! Por isso, não surpreende que elas vejam cerca de 30 mil comerciais por ano, algo como 82 propagandas por dia, o que obviamente influencia o seu comportamento de consumo.

Aqui no Brasil, apesar de não termos uma pesquisa tão precisa, o panorama é parecido – a maioria dos pais acha que brincar com seus filhos é o mesmo que ver TV junto com eles. Isso acontece porque muitos maridos e esposas trabalham o dia todo e quando chegam em casa, sentem-se cansados.

O resultado não podia ser outro – segundo pesquisa do Ibope, 35% dos brasileiros entre 7 e 12 anos estão acima do peso e 80% deles podem ser considerados obesos. É isso o que dá ver TV demais e brincar de menos...

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Hoje, eu e O Globo escolhemos o mesmo assunto...


Trabalhei em agências de propaganda durante 10 anos, sempre no Rio, antes de entrar no mundo dos shopping centers. Foi em 1990 que isso aconteceu. Meu primeiro shopping foi o Plaza, em Niterói. Depois mudei para Brasília e assumi o marketing do ParkShopping. Voltei para o Rio e para o Fashion Mall e logo depois encarei o BarraShopping, de 1994 a 1997. Daí veio SP e a diretoria nacional de marketing da Comapps, que me proporcionou uma espécie de "Bye Bye Brasil" do varejo - eram shoppings em várias capitais, como Manaus, Belém, Aracaju, Maceió, Recife, Salvador, Brasília, Beagá, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo.

Em 2001 resolvi abrir minha própria empresa para prestar serviços de marketing para shoppings e varejo - ou seja, continuo em contato com o setor. Toda essa intimidade com o mercado permite afirmar sem medo de errar que existe uma revolução em curso na indústria de shoppings no Brasil. Resolvi fazer desse o tema da minha coluna de hoje.

Escrevi ontem e mandei o texto relativamente cedo para a redação (antes das 4 da tarde). Hoje de manhã, ao abrir o jornal O Globo, percebi que eles tinham feito uma enorme matéria, de página inteira sobre o mesmo assunto. Coincidência chata. Para ler a coluna no Blue Bus, clique aqui. Para ouvir o boletim da Band News FM, clique aqui.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Quanto tempo você aguenta na fila?


Não precisa ser nenhum gênio para descobrir que lojas com filas desencorajam os clientes que desejam fazer compras. A novidade é que agora, graças a uma pesquisa feita nos Estados Unidos, é possível medir o tamanho das perdas que longas filas podem trazer para o varejo.

Para você ter uma idéia, cerca de 10% dos clientes pesquisados, que já deixaram uma loja de mãos abanando, culparam as filas no caixa por não ter comprado nada naquela visita. Para a imensa maioria das pessoas, uma fila de um a três minutos é satisfatória. 80% dos entrevistados ainda toleram filas de 4 a 5 minutos. A partir daí a paciência dos consumidores cai drasticamente e cada segundo de espera pode ser fatal para o fechamento da venda.

Como era de se esperar, nós homens somos menos tolerantes à espera e às filas nas lojas do que as mulheres. Por isso, se você quiser vender para o consumidor masculino, é melhor arrumar um caixa bem rapidinho. :-)

Você dá valor à mobilidade que tem?

Estudo divulgado essa semana na Inglaterra, garante que o número de laptops existentes no mundo vai superar o de computadores de mesa em 2011. Os pesquisadores acreditam que o número de laptops crescerá na proporção de 16% ao ano, enquanto os desktops avançarão anualmente apenas 3,8% nos próximos 4 anos.

Se a gente avaliar o que aconteceu em 2006, essa estimativa pode ser considerada até modesta. Só no ano passado, a quantidade de laptops vendidos subiu 26% em comparação com 2005, enquanto a venda de computadores de mesa avançou somente 2%.

Esse movimento é acelerado ao mesmo tempo pela queda dos preços dos computadores portáteis e pela crescente necessidade que as pessoas sentem por mobilidade. Isso significa liberdade de movimento e capacidade de acessar a Internet, baixar e-mails, trabalhar ou estudar em qualquer hora ou lugar. Muitas empresas estão inclusive equipando seus funcionários com laptops para que eles possam trabalhar em casa.

A mobilidade também explica o fenômeno dos celulares, que no Brasil já ultrapassaram a barreira dos 100 mil aparelhos vendidos e estão hoje integrados à vida das pessoas de todas as classes sociais. Resumindo - o lugar onde estamos importa hoje cada vez menos. O que vale mesmo é o nosso nível de conexão com o mundo e a nossa capacidade de produzir à distância.

Isso me lembra uma matéria que a Veja fez exatamente 7 anos atrás sobre executivos que trabalhavam em movimento. Eu fui um dos entrevistados. Na foto vocês podem observar o tamanho do meu celular, a enorme câmera digital Mavica e o computador obviamente desconectado, porque não havia wi-fi naquela época. Mesmo assim essa parafernália toda já ajudava um bocado. Essa garotada que nasceu na era digital não tem idéia da dureza que era a vida analógica! :-)

Lembra quando bebidas eram só para matar a sede?

Essa notícia vai agradar em cheio às mulheres. A Coca-Cola vai lançar no ano que vem, em parceria com a L’Oreal, uma nova bebida, a base de chá, que além de matar a sede ainda melhora a pele de quem bebe. Não é incrível?

A verdade é que os ‘nutraceuticals’, que é como os especialistas chamam as bebidas que possuem características terapêuticas, devem experimentar um boom nos próximos anos. A Sephora, rede de produtos de beleza presente em vários países, já vende, desde 2005, uma bebida que também cuida da pele, chamada Borba Skin Balance. No início do ano, Coca e Nestlé se uniram para lançar o Enviga, uma espécie de mistura de chá e água com gás, que promete queimar calorias e emagrecer.

Bem, eu experimentei o Enviga quando estive em Nova Iorque, em janeiro, e posso garantir que ele é bem gostoso. Mas apesar de tomar 2 latinhas, não perdi uma grama sequer... ;-)

A verdade é que o movimento dos consumidores, especialmente os de melhor poder aquisitivo, em busca de bem estar e qualidade de vida, obriga muitas empresas a rever suas estratégias e portfólio de produtos. Segundo dados da revista Beverage Digest, enquanto a participação de refrigerantes gasosos caiu 0,6% no último ano nos Estados Unidos, os chás prontos para beber cresceram quase 26%. Prova de que o gosto dos consumidores já não é mais o mesmo, certo?

(Essa mesma notícia foi o tema do meu boletim de hoje na Band News FM. Quer ouvir? Clique aqui.)

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Não basta ser gentil, tem que ser eficiente também

Comprei uns 3 anos atrás uma cafeteira italiana na Etna. Na época custou uma nota, quase mil reais. Acontece que o filtro, que é feito de uma mistura de plástico e borracha se desgastou e já não funciona tão bem.

Animado com o exemplo do SAC da Nestlé (veja post mais abaixo), resolvi ligar para a Etna e pedir um endereço onde poderia comprar outra peça para substituir aquela. O atendente foi gentil e me explicou que eles não trabalham mais com eletro-eletrônicos, motivo pelo qual não conseguia localizar o telefone do importador no sistema. Mesmo assim pediu que eu esperasse um pouco e depois de breves momentos voltou ao telefone com o número da Ariete, o fabricante da cafeteira.

Pensei comigo mesmo – esse negócio de SAC aqui no Brasil é bom mesmo! Mas bastou discar o número que o rapaz me deu para a ilusão se desfazer. Ele me passou na verdade o telefone de outra empresa de mesmo nome, que fabrica máquinas para produzir biscoitos...

Isso é mais uma prova de como, aqui no Brasil, algo tão básico como atender o cliente com eficiência ainda pode ser um baita diferencial.

E se os políticos deixassem Brasília?


Uns 2 anos atrás, uma revista me pediu para escrever um texto sobre Brasília. Na verdade, eles queriam que eu e outros convidados imaginássemos o que aconteceria com a cidade se os políticos fossem embora. Vislumbrei Brasília como um parque temático. Mas a matéria caiu e esse texto nunca foi publicado. Era assim:

"Os engenheiros e suas máquinas chegaram um dia depois do último político partir. O referendo popular que definiu o destino da cidade produziu debates acalorados e muitos não se conformaram com a idéia de ver o sonho urbanístico de Lúcio Costa e os monumentos arquitetônicos de Oscar Niemeyer a serviço do entretenimento caboclo. Mas, apesar do resultado apertado, Brasília foi mesmo transformada em um grande parque temático, inspirado nas coisas do país. A Candangolândia.

Dois anos depois, estava tudo pronto. O Lago Paranoá foi adaptado para reproduzir o Rio Amazonas. Hoje uma balsa navega pelas suas águas e bonecos animatrônicos imitam a fauna da região, igualzinho como na Disney. Na Esplanada dos Ministérios instalou-se o Bumbódromo, onde partidários do Caprichoso e do Garantido medem forças diariamente, a partir das 7 da noite – o horário foi escolhido pelo pessoal de marketing, que queria começar a peleja com a frase “em Brasília, 19 horas”. O desfile das escolas de samba ficou no Eixão. As cariocas se apresentam na Asa Norte e as paulistas na Asa Sul. Mas sucesso mesmo faz o bungee jump no alto da Torre de TV.

O Parque da Cidade virou um monumento aos roqueiros de Brasília, tanto os nativos quanto os adotados. Num pedaço do parque encena-se toda a história do Faroeste Caboclo, da chegada do João de Santo Cristo ao planalto central até sua morte no duelo com Jeremias. Num anfiteatro moderno, músicos locais prestam homenagens a Cássia, Dinho, Zélia, Oswaldo e Herbert entre outros.

As mais importantes obras de artistas plásticos brasileiros foram repatriadas, inclusive o acervo completo de Portinari, e estão expostas no Museu do Alvorada, antiga residência oficial da Presidência da República. A estátua da Justiça foi vestida de baiana e o prédio antigamente ocupado pelo Supremo Tribunal Federal agora é dedicado à cultura afro-brasileira. Já o Palácio do Planalto virou museu da memória áudio-visual brasileira, um dos lugares mais visitados da cidade, apesar da polêmica suscitada pela escultura do Ronald Golias na rampa de acesso.

Apesar de tantas atrações, muitos fazem questão de arrumar um tempinho e passar em frente ao Congresso Nacional, lacrado desde que os políticos deixaram a cidade. Por um inexplicável motivo, esse prédio onde nada acontece continua a atrair multidões. Alguns praguejam, outros rezam e há ainda os que derramam lágrimas furtivas, de saudade ou rancor, sabe-se lá. Mas logo seguem adiante, na direção da antiga Catedral, onde hoje funciona a movimentada Praça de Alimentação de Candangolândia".

terça-feira, 3 de abril de 2007

Os produtos são iguais. Mas os preços...

O que você faria se descobrisse que os produtos que costuma comprar são basicamente iguais aos vendidos com a marca própria de vários supermercados, por preços obviamente bem mais baratos? Continuaria fiel às marcas premium?

Isso está acontecendo nos Estados Unidos, por conta do recall que a Menu Foods teve que fazer por causa da morte de 10 animais em testes com suas rações. Os americanos foram confrontados com uma dura realidade - os produtos da P&G, Colgate e Nestlé Purina saem das mesmas fábricas que produzem, por exemplo, as rações da Wal-Mart.

Esse é o assunto da minha coluna dessa 4a feira, lá no Blue Bus e também na Band News FM (às 11:17h e 20:57h). Dá para ouvir o boletim também no site da rádio.

Um atendimento exemplar


Minha filha, um bebê lindo de 10 meses, desenvolveu intolerância à lactose. Por isso, a pediatra recomendou Nan Soy, um leite de soja em pó ao qual Carol se adaptou muito bem.

Imaginem a minha preocupação quando, cerca de 1 mês atrás, percebi que o produto, fabricado pela Nestlé, estava em falta no mercado. Por sorte, eu tinha um estoque de Nan Soy em casa. Mas a cada semana eu percebia uma lata a menos na despensa e nada da distribuição normalizar.

Ontem Patrícia, minha mulher, sugeriu - "por que você não liga para o atendimento ao consumidor da Nestlé e pergunta o que está acontecendo?". Liguei hoje de manhã e fui super bem atendido. Um rapaz educado e articulado, que não usou uma vez sequer o gerúndio (do tipo 'vou estar verificando'), me explicou que o produto realmente esteve com a distribuição interrompida durante um período, mas que o problema já tinha sido resolvido e as lojas estavam começando a receber novamente o Nan Soy.

Eu estava satisfeito com a resposta e mais aliviado com a perspectiva de encontrar o leite na minha próxima visita ao supermercado, quando o atendente disparou - "o senhor quer que eu verifique aqui no sistema quais lojas já receberam o produto?". E em seguida listou alguns supermercados e drogarias, onde o Nan Soy já estaria disponível.

O resultado vocês podem ver na foto. Fui em uma das lojas indicadas e refiz o estoque (seguro morreu de velho, né?). E estou até agora impressionado com o tal sistema da Nestlé e a eficiência do rapaz. Na verdade, todas as empresas deveriam ter um SAC assim. Como a realidade é bem diferente, a gente passa a achar um negócio do outro mundo um atendimento eficiente e prestativo. Gol da Nestlé.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A onda verde chega às Pet Shops


Consumidores conscientes têm elevado substancialmente as vendas de produtos orgânicos nos 4 cantos do planeta. Para você ter uma idéia do tamanho desse mercado, matéria publicada pelo The Washington Post mês passado estima que as vendas de produtos e serviços ecologicamente corretos nos EUA já tenham passado a barreira dos U$ 209 bilhões.

Por isso, nada mais natural que essa onda verde tenha também chegado ao mercado de produtos para animais de estimação. Hoje, empresas como a PetSmart e a Green Pets (foto), vendem não apenas rações produzidas com ingredientes orgânicos, ou seja, isentos de pesticidas ou herbicidas, como também xampus feitos com extratos de chá verde, eliminadores de odor a base de vegetais e brinquedos naturais.

Os donos de animais acreditam que oferecendo aos seus bichinhos produtos saudáveis, eles viverão mais e melhor. De quebra, esses consumidores sabem que estão ajudando a salvar o planeta.

Antes que vocês pensem que tudo isso é um grande exagero, lembrem que para uma imensa maioria dessas pessoas, os animais de estimação são como verdadeiros filhos. Esse fenômeno é alimentado pela solidão das grandes cidades e pela decisão de muitos casais que decidiram não ter crianças. Por isso, eles se dispõem a gastar bastante para dar aos seus companheiros de quatro patas tudo do bom e do melhor.

Cidade Limpa - mas não tem um certo exagero?


Como morador de São Paulo, acho que as empresas de mídia exterior estavam exagerando um pouco e que a cidade respira melhor sem tantos outdoors e painéis luminosos. Sei que a retirada das placas revelou uma enorme quantidade de fachadas sujas e mal conservadas. Talvez seja a hora de lançar uma nova lei - a "Fachada Limpa", quem sabe.

Mas como profissional de marketing, não dá para fingir que a lei ajuda às empresas anunciantes. Hoje, quando passamos tempo demais nos deslocamentos urbanos, a mídia exterior era uma boa companheira dos consumidores e boa vendedora para as marcas.

Nesse fim de semana foi a vez dos letreiros de loja serem retirados por toda a cidade. E aí, seja como cidadão ou marqueteiro, creio que a lei é um exagero. Não acho que o letreiro da Blockbuster (foto) sujasse a cidade. Ao contrário, para mim ele enfeitava. O prejuízo do comércio, especialmente o de rua, será imenso.

Quem ganha, dos 2 lados, são os shoppings. Como mídia, já que as marcas poderão continuar fazendo propaganda, panfletagem e sampling dentro desses centros comerciais. E também como local onde os letreiros dos varejistas ainda podem refletir a proposta de cada marca, sem a limitação severa demais da lei paulistana.

Como surgiu a coluna dessa 2a feira no Blue Bus


Costumo dizer que todos os domingos eu sofro da coluna. Não se trata de dor nas costas, mas do sofrimento de achar assunto para a coluna da 2a feira no Blue Bus. Preciso confessar que o texto das 2as é especial para mim. Durante anos eu escrevi somente nesse dia. Somente uns 2 anos atrás eu passei a também publicar a coluna na 4a e 6a.

Pois bem, nesse domingo o tema caiu no meu colo, fácil, fácil. Estava começando a pesquisa dos assuntos (um dia eu conto essa história melhor) quando vi um e-mail enviado pela Varig na 6a feira passada, oferecendo uma baita promoção para quem quisesse voar neste sábado e domingo. Detalhe - a greve dos controladores de vôo começou na madrugada de 5a para 6a! Os caras estavam propondo descontos de até 90% nos dias em que os aeroportos viviam o caos!

Escrevi sobre isso e mandei para a redação. Lá pelas 10 e meia da noite do domingo, meu amigo Julio Hungria, editor do Blue Bus ligou. "Ô Marinho, você caiu numa brincadeira de primeiro de abril! Isso não é de verdade!". Na hora eu gelei. Mas estou acostumado a receber vários e-mails parecidos da Varig. Não parecia brincadeira não. Para tirar a prova, acessei o site da Varig, meio sem esperança de encontrar alguma coisa que me ajudasse a comprovar a veracidade do e-mail. Mas sse pessoal é tão ruim de marketing que a promoção ainda estava lá, no varig.com.br (foto). Contei para o Julio e para a Elisa que era tudo verdade, por incrível que pareça. Cá entre nós, ainda bem. Porque eu já tinha gravado por telefone o boletim da 2a feira da Band News FM com esse mesmo tema! ;-)

Para ler a coluna, dê um pulinho em www.bluebus.com.br. Para ouvir o boletim, acesse http://www.bandnewsfm.com.br/colunista.asp?ID=39.

Individualismo


Que nossa sociedade é cada vez mais individualista, disso pouca gente duvida. Nossos computadores são pessoais, nossos telefones também e até a música que a gente ouve não pode ser compartilhada com mais ninguém, graças aos fones de ouvido dos nossos iPods.

Pois bem. Sabe qual é a última novidade nesse campo? Quartos separados para casais que moram juntos. Pesquisa da Associação Nacional dos Construtores, lá nos Estados Unidos, revelou que 25% das casas em construção foram projetadas com quartos individuais para maridos e esposas. O mesmo estudo calcula que até 2015 60% dos lares serão desse jeito. A Veja até publicou uma matéria sobre esse assunto.

Os motivos para essa nova esquisitice moderna são vários. Não ser incomodado pelo ronco do parceiro, a vontade de ler na cama até mais tarde sem atrapalhar ninguém, não precisar acordar mais cedo por causa do despertador do outro – e por aí vai.

Esse exemplo dá o que pensar. Para começo de conversa, estamos todos menos tolerantes com as diferenças. Ao mesmo tempo, queremos cada vez mais as coisas do nosso jeito – e estamos dispostos a pagar mais por isso.

Não é por outro motivo que cresce rapidamente a tendência de customização de produtos e serviços. Para conquistar as classes mais altas, que privilegiam fortemente a exclusividade, esse pode ser um tremendo diferencial.

Snack Culture


Você já passou pela experiência de comprar um CD inteiro só por causa de uma única música? Ou assinar um canal de TV a cabo apenas para assistir a um determinado seriado? E que tal aquela revista que você comprou justamente para ler a matéria de capa e nada mais?

Se você respondeu sim a alguma dessas perguntas, você é o tipo de pessoa que vai adorar a última tendência da indústria cultural – a Snack Culture. Isso significa que cada vez mais você vai poder comprar apenas pedaços de um produto cultural, como uma faixa do CD, um programa avulso do canal, uma matéria da revista, pagando apenas por aquilo que você efetivamente consome. Não é o máximo?

É claro que as produtoras, gravadoras e editoras não acham muita graça nessa tendência. Mas serão obrigadas a se curvar ao poder crescente dos consumidores. São eles que estão ditando as regras. E querem as coisas cada dia mais do jeito deles.

O excesso de alternativas disponíveis transfere para o consumidor o controle que um dia já foi da indústria e do varejo. É ele quem define o que quer comprar, quando quer comprar e como quer comprar. Por isso, tem muita empresa achando que é melhor vender um pedaço do produto cultural do que não vender parte alguma e ficar nas mãos dos piratas.

PS: Gente, o comentário do Daniel me alertou para uma mancada. Em momento algum eu citei a Wired como fonte deste post. Então aí vai: esse assunto foi matéria de capa da Wired no mês passado. Vale muito a pena dar uma lida (www.wired.com). Obrigado pelo alerta, Daniel!