quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Varejo financia mais com pré-datado e eleva proporção de cheques sem fundo

No final do ano passado, financiar as compras ficou bem mais complicado para o consumidor brasileiro. Muitos bancos e financeiras não apenas elevaram os juros como ainda por cima dificultaram o acesso ao crédito para se proteger contra a inadimplência, que eles apostam que vai aumentar no país. Como quem não tem cão caça com gato, o varejo ressuscitou um velho aliado para parcelar por conta própria as compras de seus clientes. Eu estou falando do cheque pré-datado.

Porém, como boa parte dos comerciantes não costuma tomar o cuidado necessário, na hora de checar os dados dos clientes, e trata uma venda a prazo como se fosse à vista, o número de cheques voadores aumentou um pouquinho agora em janeiro. De acordo com relatório divulgado ontem pela Serasa Experian, foram devolvidos por insuficiência de fundos no mês passado 2 milhões e 400 mil cheques no Brasil. Isso significa 2,3% de todos os cheques compensados no país.

Na comparação com janeiro de 2008, a emissão de cheques sem fundos aumentou em cerca de 20% . Porém, em números absolutos, houve mais voadores em 2008 do que agora em 2009, porque a quantidade de cheques em circulação no ano passado era bem maior. São Paulo, Rio, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais foram, nessa ordem os estados com menor proporção de cheques devolvidos. Por outro lado, nas regiões Norte e Nordeste a inadimplência com cheques foi maior que a media nacional.

Adolescentes britânicos passam mais de 4 horas por dia na web, segundo pesquisa

Os adolescentes britânicos gastam em media 31 horas conectados na internet por semana. É isso mesmo - por semana! Isso dá quase 4 horas e meia por dia. Quem garante é uma empresa chamada Cyber Sentinel, especializada em segurança na web, que entrevistou cerca de mil jovens para saber como eles usam a rede mundial de computadores.

Algumas atividades dessa garotada são bem normais. Eles gastam em média 3 horas e meia por semana conversando com amigos pelo MSN e cerca de 2 horas no You Tube e salas de bate papo. A internet também ajuda nos deveres do colégio. O tempo das pesquisas escolares chega a 3 horas semanais. Agora vêm as curiosidades, que ajudam a entender melhor a cabeça dos adolescentes de hoje. Cerca de uma hora e meia por semana é o tempo gasto em sites de dietas. Um pouco mais que isso, ou seja, uma hora e quarenta minutos, eles passam acessando sites de pornografia. As meninas ainda ficam em torno de uma hora por semana pesquisando procedimentos cirúrgicos, como implantes de silicone nos seios, e outra hora lendo sobre técnicas de contracepção.

Dos mil jovens ouvidos na pesquisa, 25% confessaram que costumam conversar regularmente com estranhos pela internet e disseram que não vêem mal algum nisso. Como você pode ver, a internet pode ser ao mesmo tempo uma maravilha e um pesadelo. Mas tenha certeza - os jovens não sabem mais viver sem ela.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A vingança da loja de tijolo sobre a ex-vedete da web

Em janeiro de 1999 fui pela primeira vez à convenção da National Retail Federation, em Nova Iorque, atraído pelos debates que sempre acontecem neste que é considerado o mais importante evento do varejo global. Acontece que 1999 foi justamente o ano em que só se falava de Internet. Estávamos no auge da bolha, que depois iria estourar, e muita gente boa garantia que o comércio eletrônico iria inclusive desbancar o varejo tradicional, ou seja, lojas de tijolo e cimento iriam desaparecer por conta da concorrência das lojas virtuais.

Em uma das super sessões do evento houve um debate do qual participaram duas empresas que vendiam brinquedos. Uma, a Toys R Us, ia mal das pernas e ameaçava até fechar as portas. A outra, chamada e-toys, era uma vedete dos novos tempos, queridinha dos que apregoavam a migração dos consumidores das lojas para os portais de vendas pela web. Nas entrelinhas, o representante da etoys dava suas espetadelas na pobre Toys R Us, aproveitando que a internet era a bola da vez.

Lembrei disso tudo porque na 5a feira passada a Toys R Us, que se recuperou daqueles tempos difíceis, adquiriu justamente o controle da e-toys, que estava sob recuperação judicial, para expandir a sua atuação no mundo virtual, sem abrir mão, claro, da presença no mundo real. Nada como um dia depois do outro, hein? Ironias a parte, a regra do jogo agora é integração. Isso significa oferecer opções para o consumidor, que pode escolher na internet e pegar o produto na loja, ou, ao contrario, escolher e testar o brinquedo na loja e preferir a conveniência de fechar a compra de casa ou do escritório. Em outras palavras, os dois canais não são excludentes. Ao contrário, são complementares.

Comércio vendeu mais 3,9% em dezembro, segundo o IBGE

O IBGE soltou agora de manhã os dados da Pesquisa Mensal do Comércio referentes a dezembro de 2008 – o volume de vendas no varejo brasileiro cresceu 3,9% na comparação com dezembro de 2007. Considerando apenas o 4o trimestre, quando as notícias sobre a crise já estavam disseminadas no Brasil, houve aumento de 6% em relação a 2007. No ano, o incremento foi de 9,1%.

A pesquisa mostrou que os efeitos da crise não são iguais para todos. Por exemplo, os automóveis, que dependem essencialmente de financiamento, perderam vendas em dezembro. Para ser mais preciso, venderam menos 4,5% do que em dezembro de 2007. Mas no acumulado de 2008, o crescimento do mercado de carros, motos e autopeças chegou a 12%. A mesma coisa aconteceu com o segmento de material de construção, que teve uma queda de 3,6% sobre dezembro de 2007, mas alcançou crescimento de quase 8% no ano passado. Mesmo entre as regioes do país há diferenças importantes. As vendas de dezembro subiram 6,4% em São Paulo, acima portanto da média nacional, mas caíram 7,2% no Pará. Quer mais um exemplo? O desempenho do comércio em dezembro poderia ter sido ainda melhor, não fosse o surpreendente destaque negativo de vestuário e calçados, setor que recuou mais de 6% em pleno mês do Natal. Eu conversei com um executivo de uma das maiores redes varejistas de calçados do país, que vendeu em dezembro passado menos do que havia vendido em 2007. Por outro lado, em janeiro de 2009 os clientes voltaram com força, compensando as perdas do Natal. Qual a explicação? Possivelmente, nesse caso a psicologia falou mais alto do que a economia.

Na semana passada conversei também com um alto executivo da área de shoppings. Ele me contou que, de fato, houve uma desaceleração no ritmo do crescimento, mas a realidade nem de longe se parece com aquela retratada por certos setores da mídia. Para você ter uma idéia, um shopping administrado por essa empresa, localizado no coração do ABC paulista, registrou um aumento de 10% no tráfego de pessoas apenas na semana passada. Você pode até pensar que essa gente toda estava só passeando. Mas a verdade é que as vendas também estão maiores do que as de 2008. Em janeiro, as lojas deste shopping faturaram quase 20% mais do que em janeiro do ano passado. Vale ressaltar que estamos falando de um empreendimento no ABC, onde estao concentradas grandes montadoras de veículos e fábricas de autopeças, ou seja, empresas que promoveram muitas demissões. Essa história confirma que é necessário ter cautela nas generalizações.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

McDonald's concentra 7% dos gastos com alimentação fora de casa no Brasil

Na 6a feira passada fez 30 anos que a 1a loja do McDonald’s no Brasil foi inaugurada. Foi na Rua Hilário de Gouveia, em Copacabana, onde por coincidência eu também morava. Lembro bem do impacto do ambiente limpo, dos uniformes listrados e do atendimento unificado – no Bob’s, que era a referência para os cariocas na época, você precisava comprar a ficha no caixa e depois pedir no balcão. Foi a marca do Ronald McDonald quem trouxe para o país o sistema em que o próprio caixa recebia o pedido, cobrava e entregava o produto. Hoje todo mundo adota o mesmo padrão.

Mas nem tudo eram flores. O pepino no sanduíche parecia uma forçada tentativa de ensinar o brasileiro a apreciar o discutível paladar americano. Quando alguém pedia, por exemplo, um cheeseburguer sem pepino, a demora era longa e inexplicável. A maioria preferia tirar com a mão o pepino – algo que faço até hoje.

O fato é que a marca dos arcos dourados emplacou no Brasil. Para você ter uma ideia, de cada R$ 10 gastos no Brasil em fast food, cerca de R$ 4 são no McDonald`s. Como consequência, 7% das despesas totais das famílias brasileiras em restaurants e lanchonetes são realizadas em alguma das 565 lojas da rede, espalhadas pelos 4 cantos do país. Esses dados são da FGV.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Pesquisa com CMOs mostra que Apple é a referência em marketing


Hoje, em meio as turbulências causadas pela crise global e pela feroz concorrência de mercado, os profissionais de marketing vivem acompanhando o movimento das outras empresas, mesmo que nao sejam concorrentes diretas, para ver o que elas estao fazendo de bom. E sabe quem anda sendo mais observada ultimamente? Pesquisa recente, feita com 180 chefões de marketing de empresas americanas, mostrou que hoje, de longe, o modelo mais admirado é o da Apple. Para se ter uma ideia, 28% dos entrevistados indicaram a empresa de Steve Jobs como o exemplo a ser seguido. Em 2o lugar, com apenas 4% dos votos ficaram a Coca-Cola e a Procter & Gamble.

Se de um lado a Apple, que investe pesado em inovacão, é muito admirada, de outro os responsáveis pelo marketing das maiores marcas americanas admitem que sao poucos os seus colegas que tentam novos caminhos. Segundo eles, a maior parte das empresas está estagnada e demonstra falta de imaginação.

A pesquisa mostrou ainda que na hora de contratar novos profissionais para seus times, esses executivos valorizam principalmente pensadores criativos, pessoas inspiradoras e com liderança, capacidade de executar projetos eficientemente e uma abordagem moderna aos negócios. No que diz respeito às agencias de propaganda, a pesquisa mostrou que 60% delas atendem às expectativas dos chefes de marketing, mas apenas 24% excedem essas expectativas.

3 tendências para 2009

A Cinthia Scheffer, que escreve sobre Midia & Marketing na Gazeta do Povo, de Curitiba, está pedindo a algumas pessoas uma lista de 3 tendências para o Brasil de 2009. Essas são as que eu mandei, tendo como pano de fundo o varejo:

1) Poder da Classe Média: apesar da crise, a classe C continuará a dar as cartas. Pesquisa divulgada essa semana pela FGV mostrou que hoje quase 55% dos brasileiros fazem parte da chamada "nova classe média". Novos shoppings, grifes e serviços serão desenvolvidos para esse público.

2) Negócios.com: com a expansão consistente da conexão residencial à internet em banda larga no Brasil, inclusive nas faixas populares, as empresas se verão obrigadas enfim a encarar a web seriamente como um canal de contato e vendas B2C.

3) A volta do CRM: a necessidade de reduzir desperdícios e aumentar a eficiência vai estimular o varejo a retomar ou inaugurar seus programas de CRM (customer relationship management). O objetivo principal será recolher informações que permitam ajustar a oferta de acordo com o gosto e a necessidade dos clientes.

Concordam? Acrescentariam mais alguma?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quem contratou mais em janeiro de 2009 no Brasil?

Muitos jornais têm estampado com destaque notícias sobre demissões nas empresas, tanto aqui no Brasil quanto lá fora. Mas nem todas as notícias são tão ruins assim. Ontem a Catho Online, empresa especializada em recolocação de executivos, divulgou os resultados de uma pesquisa que aponta quais as áreas que mais contrataram em janeiro de 2009 em nosso país e quais aumentaram seus efetivos em relação a janeiro de 2008.

Vamos aos dados? Agora em janeiro as áreas mais reforçadas foram a administrativa e a comercial. Faz sentido. Diante da crise, é primordial manter a empresa organizada, eliminar desperdícios, aumentar a eficiência e vender mais, é claro. Na comparação entre janeiro de 2009 e janeiro de 2008 as maiores oscilações positivas foram nas áreas de relações internacionais, educação, medico hospitalar e jurídica.

A Catho fez ainda um cruzamento entre essas duas listas e chegou a 5 setores que devem crescer ainda mais em importância nas empresas. São eles, pela ordem, as áreas de educação, administrativa, comercial, atendimento ao cliente e informática. Essas informações são bem interessantes e permitem concluir que, além da boa gestão, a qualificação dos profissionais e qualidade do atendimento aos clientes serão fatores decisivos nesses tempos difíceis, marcados por crise financeira e competição acirrada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O que os brasileiros fazem na web


No Brasil a internet ainda é principalmente um lugar onde as pessoas buscam relacionamento. Para voce ter uma idéia, cerca de 80% dos internautas ativos no Brasil costumam freqüentar redes sociais, como o Orkut, e navegar em blogs e salas de bate papo virtual. Somente no Orkut (na foto você o próprio) cada internauta gastou em media 4 horas e meia em abril do ano passado, segundo o Ibope Net ratings.

Outra mania nacional é o Messenger, da Microsoft. Este programa de troca instantânea de mensagens é adotado 74% dos usuários ativos da internet residencial brasileira. Eu estou falando de mais de 17 milhoes de pessoas. O tempo médio de permanência desse pessoal no MSN passa de 4 horas mensais.

O You Tube, site que exibe vídeos tanto de grandes empresas quanto de gente anônima, também caiu no gosto dos brasileiros. Em maio de 2008 ele já tinha sido adotado por 43% dos internautas ativos no pais. Juntamente com o Japão e a Espanha, o Brasil é um dos países onde o You Tube é mais popular.

Por outro lado, o Second Life, que foi muito badalado por uma parte da mídia, nunca chegou a alcançar nem 1% dos usuários ativos. Também em outros países a participação do Second Life é pequena. O motivo é que esse site onde você pode criar uma copia melhorada de si mesmo e viver uma série de aventuras virtuais, no fundo oferece poucos atrativos tanto como entretenimento quanto como meio de interação.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Em geral, a TV ainda influencia mais as decisões de compra

Muitos especialistas andam dizendo por aí que em função da crise a internet vai ganhar mais espaço e roubar uma fatia considerável das verbas publicitárias que hoje são direcionadas para as mídias tradicionais, especialmente a TV. Bem, eu não contaria com isso. Para começo de conversa, historicamente os executivos de marketing tendem a se comportar de maneira ainda mais conservadora em tempos difíceis, arriscando menos e apostando mais nas soluções já conhecidas. Além disso, estudos recentes tem mostrado que a TV continua sendo o meio que mais influencia o comportamento de compra dos consumidores.

Uma dessas pesquisas foi feita pela Deloitte, entre setembro e outubro do ano passado, em 5 países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Japao e Alemanha. Eles entrevistaram usuários da internet brasileira e descobriram que para nada menos que 75% dessas pessoas a TV é o meio que impacta com mais força suas decisões de compra. Depois, pela ordem, vêm as revistas, a mídia digital, o radio e o jornal. Nos Estados Unidos e no Japão esse percentual é ainda maior e fica perto de 90%. É verdade que aos poucos as marcas e suas agências vao aprendendo a usar melhor novas mídias como as redes sociais na internet, o telefone cellular e os video games. Mas a TV continua reinando como o mais importante canal de comunicação e vendas para as marcas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O famoso 'azul polar brilhante' do OMO

A função principal das embalagens é conter e proteger os produtos. No passado, quando o consumidor vivia relativamente perto do produtor, isso não era tão essencial. Hoje, quando o leite, o arroz, os temperos e os pães são transportados para mercados bem afastados, e às vezes até para outros países, boas embalagens são fundamentais na distribuição das mercadorias. Tem um outro fator interessante que aumenta a importância das embalagens, que é a predominância do auto serviço. A maior parte do abastecimento da população brasileira é feita hoje em lojas de auto serviço, ou seja, lugares onde o consumidor pega sozinho o produto nas prateleiras sem a ajuda de um vendedor. Nesses casos, a embalagem funciona como um ‘vendedor silencioso’.

Eu conversei com o Lincoln Seragini, professor e um dos mais respeitados especialistas em design de embalagem no Brasil, e ele me explicou que a embalagem precisa causar impacto visual imediato para seduzir o consumidor no ponto de venda. E isso inclui o uso de cores, a forma, imagens ilustrativas etc. Segundo Seragini, a maioria das pessoas decide a compra por comparação, especialmente quando se trata de um produto novo ou uma categoria que elas não costumam consumir.

E é na busca de diferenciais capazes de influenciar a escolha no ponto de venda que as marcas incorporam frequentemente atributos curiosos, como por exemplo o azul polar brilhante, usado durante muito tempo pelo sabão em pó OMO. A explicação do azul polar brilhante é bem simples, depois que alguém decifra para você, claro. Ele nada mais é do que um branqueador ótico, ou seja, um elemento químico que reflete com mais intensidade a cor branca diante da incidência da luz. Em resumo, muitas dessas frases constantes nas embalagens são maneiras de personalizar atributos que não são exclusivos, ou seja, podem estar presentes também em outros produtos de outras marcas.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Dica de livro - 'Tribes', do Seth Godin

Seth Godin é um daqueles gurus de marketing que possuem um exército de fãs e seguidores. Nada mais natural, portanto, que seu novo trabalho aborde o tema das ‘tribos’, fenômeno definido por ele no livro como ‘um grupo de pessoas conectadas umas às outras, conduzido por um líder e unido em torno de uma idéia”. Afinal, ele próprio lidera uma numerosa comunidade.

Há uma década Godin mantém o hábito de publicar todos os anos um livro curto sobre as mudanças no mundo dos negócios provocadas pela realidade digital. Coerente defensor da tese de que o poder conquistado pelos indivíduos desafia a mídia tradicional, Godin desta vez conclama seus leitores a assumir o papel de liderança em uma tribo, para mudar o mundo e ao mesmo tempo afastar a pasmaceira de suas vidas. Para mostrar que isso é possível, o autor recheia ‘Tribes’, lançado em outubro do ano passado nos Estados Unidos e ainda sem tradução para o português, com exemplos de pessoas comuns que reuniram naturalmente discípulos em torno de si e realizaram grandes feitos.

O principal problema de ‘Tribes’ é tentar ao mesmo tempo analisar os princípios que norteiam a formação das comunidades orientadas pelas idéias e funcionar como uma espécie de guia de auto-ajuda. Acaba não fazendo direito nem uma coisa nem outra.

TRIBES – WE NEED YOU TO LEAD US | SETH GODIN
Editora Penguin, 151 páginas, R$ 51,67 na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br)

No Brasil a Internet ainda é subestimada

Um dos mitos mais enraizados entre os profissionais de marketing brasileiros é o de que a Internet no país é um espaço da elite. De fato, há 8 anos 76% dos nossos usuários pertenciam às classes A e B. Porém, um ano atrás esse percentual já tinha baixado para 50%, segundo dados do Ibope NetRatings. A popularização da Internet no país é fruto não apenas da proliferação dos espaços de acesso público, apelidados de ‘lan house’, do Oiapoque ao Chuí, mas também do aumento nas vendas de computadores para a ‘Nova Classe Média Brasileira’, composta por um enorme contingente de pessoas de classe C e um pouco da classe D. Enganam-se ainda os que pensam que a grande maioria dos internautas brasileiros utilizam o acesso discado, que requer paciência e inibe a exibição de conteúdos multimídia. Em dezembro de 2008, dos 24,5 milhões de usuários ativos da internet residencial no país, nada menos que 83% navegaram por banda larga.

É verdade que as redes sociais, como Orkut e You Tube, os blogs e os programas de trocas instantâneas de mensagens ainda predominam na Internet brasileira, especialmente entre os mais jovens. Porém, gradualmente adultos com mais de 24 anos estão adotando o meio e impulsionando novos negócios. Para você ter uma idéia, entre dezembro de 2007 e dezembro de 2008 o número de usuários ativos da web com até 24 anos cresceu 7,5%, enquanto entre pessoas com 25 anos ou mais a evolução foi de 21,5%. Isso acarretou, por exemplo, um consumo mais intenso de conteúdo jornalístico na rede – e também ajudou a elevar as transações nos sites de comércio eletrônico.

Ignorar as possibilidades da Internet no Brasil é o mesmo que enterrar a cabeça na areia. É verdade que a quantidade de pessoas com acesso à rede no final do ano passado ainda é pequena, se comparada à nossa população total – somos apenas 38 milhões de brasileiros conectados. Mas vale lembrar que em apenas 3 anos o número de internautas ativos simplesmente dobrou no país. O ritmo de crescimento tende a continuar vigoroso, o que recomenda que as empresas olhem com muito mais atenção para a internet tupiniquim.

Está provado - o povo de marketing não ouve mesmo o consumidor

A maioria dos especialistas concorda que a principal saída para vencer a falta de disposição das pessoas para o consumo é uma estratégia chamada 'customer centricity', que significa, em bom português, colocar o cliente no centro de tudo. Porém entre o discurso e a prática existe um imenso abismo. Para começo de conversa, está provado que as empresas não escutam seus clientes. Levantamento feito nos Estados Unidos com 500 CMOs (Chief Marketing Officer) de empresas importantes mostrou que apenas 1/3 dessas companhias se consideram realmente comprometidas em ouvir os consumidores. Tem mais – somente 16% desses chefões de marketing acompanham regularmente as queixas e comentários que recebem em seus websites.

Curiosamente, esses profissionais de marketing são os primeiros a reconhecer que a voz dos consumidores, amplificada pelas mídias digitais, tem uma influência muito grande nos seus resultados. A recomendação de um conhecido ou mesmo a avaliação de um produto ou serviço publicada na internet muitas vezes tem mais peso até do que a propaganda tradicional. Se eles mesmo assim dão tão pouca atenção aos desejos e necessidades dos consumidores é porque os tempos de vacas gordas nivelavam os bons e os maus profissonais. Agora, que a tempestade chegou, é a hora de ver quem é bom de marketing de verdade e quem ia só no embalo do vento a favor.