segunda-feira, 31 de março de 2008

Pesquisa mostra hábitos culturais dos brasileiros

Uma pesquisa feita pelo Ipsos, a pedido da Fecomércio-RJ. mostrou mais uma faceta do Brasil de verdade, bem diferente daquele país retratado nos comerciais e nas novelas da TV. Segundo o estudo, no ano passado apenas 31% dos brasileiros leram um livro, 20% foram a um show de música, 17% pegaram um cineminha e 6% assistiram a uma peça de teatro. O Ipsos investigou mil domicílios em 70 cidades do país.

A distância que separa o brasileiro das atividades culturais não é determinada principalmente pelo alto preço cobrado pelos ingressos ou livros, como muitos imaginam. A maior parcela de culpa vai para a falta de hábito associada ao pouco apreço por esses programas. E isso afeta todas as faixas sociais, inclusive a elite, representada pelas classes A e B. Por isso mesmo, a maioria da população não tem a menor intenção de mudar de atitude em 2008.

A questão passa ainda pela carência de salas de exibição, teatros casas de shows e bibliotecas nas regiões mais carentes – só para citar um exemplo, 24% dos entrevistados das classes D e E disseram que não foram ao cinema em 2007 porque não havia opções perto de onde moram. E isso, é claro, dificulta a formação do hábito de consumo cultural.

Sem cinema, livro, teatro, shows e exposições de arte, resta ao brasileiro médio informar-se e divertir-se pela TV. Essa constatação, além de dimensionar o tamanho da influência que esses veículos de comunicação exercem sobre o país, também explicam porque a mídia televisiva, apesar dos percalços que enfrenta, ainda deve manter sua hegemonia por muito tempo.

Mais dados da pesquisa sobre consumo de atividades culturais no Brasil

Veja aqui outros dados da pesquisa do Ipsos, feita a pedido da Fecomércio-RJ, sobre o consumo de cultura:

- 55% dos brasileiros não participaram de nenhuma dessas atividades em 2007: leitura de livros, peças/espetáculos de teatro, visita a exposições de arte, ida a um cinema, ida a um show de música e espetáculo de dança.

- dos 45% que participaram de alguma dessas atividades em 2007, 31% leram em média 5 livros, 6% assistiram em média 3 peças de teatro, 8% foram em média a 2 exposições de arte, 17% viram em média 5 filmes no cinema, 20% foram em média a 4 shows de música e 7% assistiram em média a 2 espetáculos de dança.

- entre os que não leram nenhhum livro em 2007, os entrevistados das classes A e B nao o fizeram por falta de hábito (59%), por não gostar de ler (19%) e por preferir outras coisas (13%). Nas classes D e E os argumentos são parecidos - 58% não têm o hábito, 27% não gostam e 8% preferem outras coisas. Na baixa renda, enretanto, o fator econômico também influencia - 9% não leram nada em 2007 porque os livros eram caros e eles não tinham dinheiro para comprar.

- o brasileiro acha que o preço justo de um livro seria de R$ 19,00, o ingresso de teatro deveria custar R$ 14,00, o de cinema R$ 8,00, a entrada para um show idealmente deveria custar R$ 15,00, um espetáculo de dança valeria R$ 13,00 e uma exposição de arte R$ 11,00.

sexta-feira, 28 de março de 2008

85% da população mundial conectada faz compras na web

Um estudo global da Nielsen sobre hábitos de compra pela Internet mostrou que 85% da população mundial com acesso à web já fez alguma compra na rede. Esse número representa um crescimento de 40% em relação à pesquisa anterior, realizada 2 anos atrás. Na América Latina o percentual dos que já compraram pela Internet é de 79%.

Mais da metade dos entrevistados tinham feito alguma compra em web sites no mês anterior à pesquisa, o que prova que grande quantidade de clientes está ativa. Os países que lideram as estatísticas são a Coréia do Sul, onde 79% fizeram alguma compra na web no mês anterior, seguida pelo Reino Unido (76%), Suíça (67%) e Estados Unidos (57%).

Os itens mais vendidos foram livros (comprados por 41% dos entrevistados nos 3 meses anteriores à pesquisa), roupas, calçados e acessórios (36%), vídeos, DVDs e games (24%), passagens aéreas e reservas de hotéis (24%), equipamentos eletrônicos (23%) e música (19%).

terça-feira, 18 de março de 2008

Metade dos paulistanos está endividada

Hoje em dia, acompanhar o nível de endividamento do consumidor é essencial para quem trabalha com consumo. Afinal de contas, um dos fatores que mais contribui para essa farra de compras que o país tem vivido nos últimos tempos é justamente o crédito.

Pois bem, segundo dados divulgados essa semana pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, nada menos que metade dos paulistanos possui dívidas para pagar. Pode parecer muito, mas na verdade esse percentual é bem menor do que aquele que foi registrado um ano atrás. Em março de 2007, o índice de endividados em São Paulo chegou a 62% da população.

Ter uma boa parte da população endividada não chega a ser exatamente um problema para São Paulo. Com a estabilidade da economia e a confiança no futuro em alta, é normal que os consumidores façam crediários longos ou tomem empréstimos para realizar seus sonhos de consumo.

Ruim é quando eles não conseguem pagar essas dívidas. Hoje, 35% dos consumidores têm contas em atraso. Entre os que possuem renda de até 3 salários mínimos, ou 1.245 reais, esse índice sobe para 49%. Porém, de acordo com a pesquisa da Fecomércio, 71% desses inadimplentes pretendem pagar suas dívidas total ou parcialmente. Afinal, precisam do nome limpo na praça para continuar comprando a prestação.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Marketing Verde - será que agora vai?

Produtos eletrônicos não são exatamente os mais amigáveis para o meio ambiente – eles consomem eletricidade, contribuindo para o aquecimento global e liberam toxinas quando são descartados no lixo comum. Mas a mesma indústria que tenta vender aos consumidores um novo celular a cada ano e nos incentiva a deixar a velha TV por um novo modelo de tela plana, também está se esforçando para demonstrar que se importa com o planeta.

No maior evento do setor de eletrônicos, realizado em janeiro passado em Las Vegas, os fabricantes falaram não apenas de megapixels, megahertz e megabytes, mas também sobre equipamentos capazes de utilizar menos energia, baterias mais fáceis de serem recicladas e componentes feitos de vegetais – a Fujitso desenvolveu um laptop que utiliza milho na fabricação da carcaça.

Apesar disso, a indústria de eletrônicos ainda tem um longo caminho a percorrer caso queira convencer os consumidores de que agora se preocupa genuinamente com o meio ambiente. Apenas poucas empresas, como a Sony, assumem a responsabilidade de reciclar seus produtos descartados pelos usuários. Como resultado, somente 12,5% do lixo eletrônico nos Estados Unidos são reciclados anualmente – a maioria vai mesmo para o lixo comum.

A onda verde não se limita à indústria. A Wal-Mart anunciou que começará a vender produtos que agridem menos ao planeta até 2010, o que inclui oferecer em todas as lojas aparelhos de TV de tela plana que gastem 30% menos energia. Essa economia seria suficiente para abastecer de energia 53 mil lares por um ano inteiro.

Lee Scott, presidente e CEO da Wal-Mart declarou recentemente que questões como comércio internacional, aquecimento global, ameaça de desabastecimento de água, desigualdades econômicas e sociais e escassez de petróleo serão fatores que serão levados em consideração nas futuras estratégias da empresa.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Com a palavra - o leitor

A coluna de hoje no Blue Bus fala da importância do consumidor de baixa renda e da dificuldade que alguns publicitários e profissionais de marketing têm de falar com essa gente - leia aqui. Agora há pouco recebi o comentário de um leitor, o Zeca Pinto, que vale a pena reproduzir aqui:

Luiz
Buenas mais uma vez um ótimo texto, batido e objetivo, espero que eles leiam.
Uma historinha rápida e rasteira. Certa feita, lá pelo início dos anos setenta, uma agência de São Paulo criou uma campanha para uma indústria fabricante de tratores e colheitadeiras. A mídia básica era o interior do RS, na época eu morava lá. O spot de rádio foi irradiado pelas emissoras AM. Essas emissoras tinham um programa ao vivo e prestavam serviços de informação aos agricultores e estancieiros, era o principal veiculo na época, as transmissões de TV não chegavam ao interior. Pois bem o spot foi veiculado no final do break, logo após retornaria para o locutor. Ele, sem a menor cerimônia, traduziu para a linguajem local, com certeza os fronteiriços não entenderam nada do que fora criado pela agência de São Paulo. Conclusão, não conheciam os consumidores. A mesma coisa acontece com os marqueteiros e os publicitários de hoje, não conhecem o povão. O Enio Mainardi diz que os publicitários olham o povo do vigésimo andar da agência, de longe.
Um abraço
ZECA PINTO

terça-feira, 11 de março de 2008

Pesquisa confirma - pessoas tristes gastam mais

Estudo divulgado mês passado nos Estados Unidos mostrou que as pessoas tristes têm maior propensão a gastar mais em compras. A experiência, promovida por 4 universidades americanas, começou com a exibição para um grupo de pessoas de um vídeo tristíssimo, sobre a morte do pai de um garoto. Outro grupo assistiu a um vídeo neutro, sobre uma barreira de corais na Austrália.

Resultado – o pessoal que viu o vídeo triste, chegou a pagar por uma garrafa de água mineral 4 vezes mais do que o povo que assistiu ao outro vídeo. De acordo com os cientistas, isso acontece porque a tristeza mexe com a auto-estima das pessoas e faz com que as elas sintam que valem menos do que as outras. Ao pagar mais pelo produto, o sujeito estaria de certa forma compensando esse sentimento e tentando dar mais valor a si mesmo, pela aquisição de um produto mais caro. Outra conclusão desse estudo é que a gente realmente usa as compras para melhorar o astral. Não é a toa que a propaganda de muitas marcas bate nessa tecla das comprinhas como forma de alegrar um pouco a vida.

Moral da história – se você estiver muito triste e sem dinheiro, cuidado. Fique longe das lojas e supermercados. Agora, se estiver sobrando um dinheirinho, não tenha dúvida – ao comprar um presente para você mesmo, de preferência bem bacana, a tristeza vai diminuir ou até vai embora. ;-)

segunda-feira, 10 de março de 2008

Mais dados sobre o Censo dos Shoppings

Desde 1990 os shoppings fazem parte da minha vida. Não pensem que sou um viciado em compras. Na verdade durante 7 anos trabalhei dentro de shoppings, como gerente de marketing do Plaza, em Niterói, do Park Shopping, em Brasília, do Fashion Mall e do BarraShopping, no Rio. No final de 97 mudei para São Paulo para assumir a direção nacional de marketing de uma administradora que controlava 16 shoppings, distribuídos pelos 4 cantos do país, de Manaus a Porto Alegre. E ainda hoje tenho vários shoppings na carteira de clientes da minha empresa, a BrandWorks.

Por isso, freqüentar eventos sobre shoppings é algo normal na minha vida. Na 5a feira passada fui a mais um, promovido pela ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers) e pelo ICSC (International Council of Shopping Centers), no Sofitel aqui em SP. Lá o Paulo Secches, da TNS InterScience apresentou um interessante levantamento com dados dos shoppings brasileiros, que usei para escrever a coluna de hoje no Blue Bus e também para gravar o boletim da Band News FM.

Se você se interessa pelo assunto, aqui vão mais alguns dados da pesquisa, que não foram incluídos na coluna:

- Segundo os critérios da Abrasce, existem hoje no Brasil 367 shoppings. A diferença entre essa conta e as de outras entidades, como a Alshop, por exemplo, é que a Abrasce não considera como shoppings empreendimentos cujas lojas sejam vendidas aos lojistas e não locadas, entre outras características.

- De 2006 para 2007 a quantidade de shoppings no país cresceu 4,5%. Quem puxou esse número para cima foram regiões carentes desse tipo de empreendimento como a Centro-Oeste (+17,8%) e a Norte (+12,5%). No Sul o aumento foi de 5,8%, no Nordeste de 4% e no Sudeste de 2%.

- Ainda assim, ainda é muito forte a concentração de shoppings no Sudeste: 55% deles estão nessa região, 20% estão no Sul, 14% no NE, 9% no CO e 2% no Norte do país.

- Enquanto o varejo brasileiro crescia 9,6% de 2006 para 2007, o faturamento dos shoppings subia 16%, chegando a R$ 58 bilhões.

- Dos shoppings brasileiros, 44% são focados nas classes AB, 28% nas classes BC, 6% são predominantemente Classe A, 14% predominantemente Classe B, 4% predominantemente Classe C, 4% são Classe D e 1% Classe E. Ou seja, 2/3 deles são voltados para as classes A e B.

- Cerca de 70% dos shoppings brasileiros cobram pelo estacionamento e apenas 30% liberam gratuitamente suas vagas.

- 92% dos shoppings brasileiros fazem ações de merchandising. As mais comuns são no estacionamento (85% fazem propaganda nesses espaços), nas portas automáticas (70%), nos elevadores (67%), na fachada (60%) e no piso (56%).


domingo, 9 de março de 2008

Você acabou de comprar, mas o produto já está velho

Deu no Wall Street Journal: a enxurrada de novos produtos lançados pela Apple nos últimos anos – o iPhone, a sempre renovada família iPod, os últimos iMacs – tem sido bem recebida pelos consumidores, que elevaram as vendas da empresa. Ao redesenhar constantemente seus produtos, porém, a Apple habituou seus clientes a viver em permanente expectativa por upgrades. O risco que a Apple corre é desapontar consumidores que podem se sentir frustrados por verem seus equipamentos ultrapassados pouco tempo depois de comprados. Alguém que acabou de adquirir um laptop no Natal, por exemplo, pode se sentir traído com o anúncio do Mac Air em janeiro.

Isso de certa forma foi o que aconteceu quando os primeiros clientes que compraram o iPhone viram, pouco tempo depois, o preço do celular baixar em 200 dólares. Outro exemplo é o iPod tradicional, hoje chamado de 'Classic', praticamente relegado ao segundo plano pelo iPod Touch. Considerando que o ritmo de introdução de novidades na Apple é de 2 a 4 vezes mais rápido do que o das outras empresas, a possibilidade do cliente Apple sentir remorso depois de uma compra é relativamente grande.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Consumo popular eleva vendas no varejo

Alertado pelo artigo do jornalista Ali Kamel, publicado esta semana no Globo, dei um pulinho na página do Ministério do Desenvolvimento Social para ler a matéria sobre a contribuição dos programas sociais no consumo de bens duráveis pelas famílias brasileiras de menor poder aquisitivo, que foi produzida pela assessoria de comunicação daquela pasta (leia aqui).

Não pretendo tomar partido na discussão proposta por Kamel – ele acredita que esses recursos não deviam servir ao consumo e sim a outras destinações, como educação. Minha intenção é encaixar mais uma peça nesse grande quebra cabeças que é o recente aumento do consumo no país. Já sabíamos que a combinação de fatores como a elevação da renda das famílias, a expansão do crédito e a confiança no futuro contribuíram fortemente para o crescimento de 9,6% nas vendas do varejo, registrado em 2007 pelo IBGE. Agora fica claro que também o dinheiro proveniente dos programas sociais do governo ajudou as lojas a vender mais televisores, móveis, fogões e máquinas de lavar.

Para você ter uma idéia do volume desses recursos, apenas o Bolsa Família distribuiu no ano passado quase R$ 9 bilhões, beneficiando 11 milhões de famílias e algo em torno de 26% da população. Para 2008 esse total deve subir para R$ 10,4 bilhões. Boa parte desse dinheiro está garantindo o pagamento das prestações dos bens duráveis adquiridos pelos consumidores da base da pirâmide.

Um bom exemplo disso é o Estado de Alagoas. Enquanto o comércio nacional avançou 9,6% em 2007, na comparação com 2006, o varejo de lá cresceu espantosos 19,2%. Ainda de acordo com a matéria do Ministério de Desenvolvimento Social, há 45 meses Alagoas bate recordes de consumo popular. A explicação está nos benefícios recebidos pela população – só os aposentados embolsaram da Previdência R$ 2 bilhões em 2007. O Bolsa Família jogou naquele mercado outros R$ 300 milhões. Detalhe – mais de 53% dos alagoanos são atendidos por programas de transferência de renda do governo.

Os recursos distribuídos por esses programas sociais são usados para complementar a renda das famílias mais pobres, que lastreadas pela segurança de um dinheirinho certo todos os meses sentem-se à vontade para assumir o crediário e aparelhar suas casas. Como o cenário não deve mudar e a demanda ainda é grande, dá para apostar que os bens duráveis continuarão puxando as vendas do varejo por um bom tempo.

quinta-feira, 6 de março de 2008

O TuttiPhone e outras invenções muito úteis

Depois de ler a coluna no Blue Bus que comenta a pesquisa da TNS InterScience sobre a relação dos terráqueos com seus celulares (veja o texto aqui), a Bianca Brandão me mandou a ilustração do TuttiPhone, que ela achou num dos papéis de bandeja do McDonald's. Detalhe - o título da coluna era "Celular é o canivete suíco da vida moderna". Obrigadão, Bianca!

quarta-feira, 5 de março de 2008

Está difícil diferenciar

Hoje em dia as decisões de compra dos consumidores são determinadas não pela qualidade dos produtos ou serviços, mas pela afinidade que eles têm com determinadas marcas. Em outras palavras, diante de ofertas mais ou menos equivalentes, optamos por aquelas marcas que nos tratam melhor e das quais gostamos mais.

Ninguém pode negar que hoje existe um excesso de opções à disposição dos consumidores. Além do mais, a tecnologia está nivelando rapidamente a qualidade da maioria dos produtos no mercado. Isso tudo dá mais poder ao consumidor e tira o sono dos varejistas. Tem até uma expressão pra definir isso que está sendo repetida pelos americanos à exaustão – ‘commodity hell’ (em português algo como ‘o inferno da comoditização’). Como está cada dia mais difícil diferenciar as marcas com base no desempenho dos produtos e considerando que preço é uma estratégia perigosa e para poucos, sobram os fatores emocionais.

Para Daniel Pink, jornalista que escreveu um bom livro, batizado no Brasil de “O cérebro do futuro”, design, histórias, empatia com o consumidor e diversão, para citar alguns exemplos, serão mais importantes do que durabilidade, velocidade e precisão, na tarefa de seduzir as pessoas. Por isso, segundo ele, o marketing do futuro pertencerá mais aos artistas do que aos engenheiros.

O problema é que para tudo isso acontecer, as marcas precisam abraçar as mudanças e aceitar que os consumidores tenham um papel importante no seu processo de marketing. Um empecilho, entretanto, será a vaidade de alguns executivos e a miopia de várias empresas. Todos dizem que escutam os consumidores, mas bem poucos prestam atenção de verdade neles. Como disse certa vez Terry Leahy, CEO da rede de supermercados inglesa Tesco – “muitas organizações dizem que ouvem os clientes, mas elas são bem seletivas na hora de decidir o que se permitem escutar”.

terça-feira, 4 de março de 2008

Mídia - quem ganhou e quem perdeu em 2007

O mercado publicitário brasileiro cresceu em 2007 cerca de 9% em comparação a 2006. Quem garante é o Projeto Inter-Meios, uma iniciativa do grupo Meio & Mensagem. Esse índice está sendo considerado bom por agências e veículos, embora alguns tenham mais o que comemorar do que outros.

A análise dos números revela algumas tendências bem interessantes. Os principais meios de comunicação do país continuam sendo TV aberta, jornais, revistas e rádio. Mas algumas mídias tiveram no ano passado um desempenho realmente impressionante. Os investimentos em publicidade na Internet, por exemplo, subiram 46%. Prova de que a web se consolida rapidamente em nosso país e não pode mais ser ignorada por agências e anunciantes. Outro fator que impulsiona a audiência desse canal é o fato de que muita gente lê jornal e ouve rádio na Internet. Ou seja, ele não compete com outros meios, muitas vezes ele complementa esses meios. O resultado é que a Internet, que ficava com apenas 1,5% dos investimentos publicitários em 2003, dobrou sua participação e hoje já responde por 3% de todos os gastos em mídia aqui no país.


Outros dois setores que também cresceram bastante foram a mídia em cinema, que teve um faturamento 23% maior e a TV por assinatura, que subiu 21%. O cinema tem se mostrado uma ótima maneira de falar com um público de melhor poder aquisitivo, em especial com os jovens. Além da propaganda na telona, outras formas de interação com os espectadores tem sido testadas, como as ações em que a platéia funciona como se fosse o joystick de um jogo.
Já a TV por assinatura se beneficia da recuperação na renda dos brasileiros e também de uma maior flexibilidade das operadoras, que tentam dar acesso ao serviço a um número maior de pessoas.


Os jornais também tiveram um bom desempenho em 2007, especialmente por conta dos intermináveis lançamentos imobiliários e das ofertas do varejo, como lojas de móveis, eletro-eletrônicos, computadores e supermercados. Por outro lado, o pessoal que trabalha com mídia exterior continua penando. Apesar da verba investida no ano passado em outdoor, mobiliário urbano, fachadas de edifícios etc ainda ser maior do que aquela que foi aplicada em ações na Internet, o faturamento desse tipo de propaganda despencou 16% no ano passado, principalmente como reflexo do Cidade Limpa, projeto da prefeitura de São Paulo que proibiu esse tipo de publicidade na maior cidade do país.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Produtos e Serviços grátis - isso é apenas o começo

Há tempos um assunto frequentava meus pensamentos - como a idéia ousada do Radiohead, que disponibilizou as canções do 'In Rainbows' para download pelo preço que os clientes quisessem pagar, acabou ajudando as vendas do CD nas lojas tradicionais. Penso que algo parecido, embora acidental, tenha acontecido com o 'Tropa de Elite', que apesar (ou talvez justamente por isso) de ter sido visto por milhões em cópias piratas, fez bonito nas bilheterias dos cinemas brasileiros. Em resumo, acredito que a propaganda gerada pela distribuição gratuita, ou quase gratuita, desses produtos culturais teve grande patrcela de culpa no sucesso que eles obtiveram no mercado tradicional.

Queria escrever sobre isso, mas ainda não tinha encontrado um bom gancho ou argumentos mais consistentes. Ainda no sábado, conversando com amigos na tranquilidade da Fazenda Capoava, onde passava o final de semana, esse assunto voltou à baila. Pois bem, no domingo, ainda na fazenda, eu navegava na web pesquisando assuntos para as colunas da semana no Blue Bus e na Band News, quando o artigo do Chris Anderson, editor da Wired caiu no meu colo (leia aqui). Para quem não está ligando o nome à pessoa, trata-se do cara que escreveu 'A Cauda Longa', um dos melhores livros de 2006. Ele escolheu para tema do seu novo livro, que sai em 2009, exatamente o aumento do número de empresas que oferecem produtos e serviços gratuitos para os consumidores.


Pronto, era o que eu precisava. E enquanto tomava um café no bar da cocheira, olhando os cavalinhos, o lago e minha Carol brincando com as outras crianças, escrevi a coluna de hoje (leia aqui). Certamente visitarei novamente tanto o tema quanto a Fazenda Capoava.