quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Baixe os slides da palestra sobre a NRF 2009


Para baixar o arquivo com os slides da minha palestra sobre a NRF 2009 clique aqui.

Para fugir da crise, e-commerce americano mira nos consumidores brasileiros

A crise vai continuar castigando o varejo dos Estados Unidos. Estimativas divulgadas pela National Retail Federation projetam para este primeiro semestre vendas 2% piores do que em 2008, que já foi um ano bem ruim. O curioso é quem pode acabar pagando parte dessa conta são os comerciantes brasileiros. Um estudo realizado no final do ano passado pela MindWare Research mostrou que muitos varejistas americanos tentam compensar as perdas locais estimulando as vendas para outros países por meio do comércio eletrônico.

A pesquisa revelou que em 2008 cada uma das 400 empresas americanas entrevistadas fez vendas pela internet para 9 países estrangeiros, especialmente os emergentes, onde a crise não chegou com tanta força. Você certamente já adivinhou que o Brasil é um desses países. Nada menos que 55% dos varejistas pesquisados tem entre seus clientes consumidores brasileiros. Os preços muito baixos praticados hoje pelos lojistas americanos e a facilidade de pagar com cartões de crédito internacionais tem atraído muita gente aqui e animado os comerciantes de lá, que devem intensificar o ataque ao mercado brasileiro em 2009.

Por isso é bom os nossos varejistas colocarem as barbas de molho. Eles precisam caprichar ainda mais na operação e afinar a pontaria para não perder clientes para concorrentes do lado de cima do continente.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Coluna da Gazeta Mercantil de hoje

Vendas no comércio vão cair ainda mais nos Estados Unidos

A National Retail Federation (NRF) divulgou hoje suas previsões para o desempenho do varejo americano em 2009. De acordo com a entidade, as vendas do comércio, excetuando-se automóveis, gasolina e restaurantes, devem cair 0,5% em relação a 2008, que já foi bem ruim.

Mas a situação deve melhorar ao longo do ano, segundo a NRF. No 1o semestre a estimativa é de um recuo nas vendas de 2,5%. No 3o trimestre o desempenho deve ser um pouco melhor, com uma queda de 1,1%. Finalmente, no ultimo trimestre do ano as vendas devem voltar a crescer – a projeção é de um aumento de 3,6% em comparação com 2008. O que não serve para animar muito, afinal, o 3o trimestre de 2008 foi 7,7% pior do que o de 2007 lá na terra do Tio Sam.

Isso significa que apesar das esperanças depositadas no novo presidente eleito e em suas medidas saneadoras, as nuvens ainda estarão carregadas nos Estados Unidos em 2009.

Pesquisa | Agora elas querem homens sensíveis mas também viris

Fazer marketing hoje em dia é bem mais complicado do que no passado. Eu não estou falando apenas de crises econômicas e excesso de competição de mercado. As dificuldades começam com o próprio consumidor, que muda de comportamento o tempo todo. Um exemplo dessa complexidade é a identidade masculina, que tem estado na berlinda nos últimos anos, como consequência da revolução feminina. Em outras palavras, as mulheres invadiram a praia dos homens e nós ainda estamos tentando entender qual é o nosso novo papel.

Nos últimos anos ganhou destaque o perfil masculino mais preocupado com a aparência, que divide com as mulheres os mesmos produtos de beleza e usa até a mesma manicure, que procura entender a alma feminina e exercitar a sua sensibilidade. Esse homem sensível e vaidoso ganhou até um apelido dos especialistas em marketing: foi chamado de metrossexual, que seria o macho heterosexual moderno e vaidoso das grandes metrópoles.

Pois bem, agora a Unilever, para posicionar o desodorante Axe, que é voltado para o consumidor masculino, fez uma pesquisa com 2 mil e 800 mulheres de 14 países, inclusive o Brasil. E o estudo mostrou que elas querem um pouco de cada coisa: um homem com algumas características antigas da masculinidade, porém, sem perder a sensibilidade. A imensa maioria delas busca homens decididos - 72% das mulheres pesquisadas preferem um macho forte e determinado, que sabe o que quer, corre atrás e consegue.

As mulheres disseram ainda que estao cansadas da competição masculina em relação à estética. 75% delas não querem mais dividir seus produtos de beleza com os homens. E 60% das mulheres não gostam que homens demorem mais para se arrumar do que elas quando vão sair. Elas também criticaram o tal homem “moderno”, escravo da tecnologia. Ou seja, elas ainda valorizam algumas tradições. Quer um exemplo? Cerca de 90% das pesquisadas preferem uma ligação telefônica a uma mensagem de SMS.

Em resumo, as mulheres desejam um homem másculo, com força e vigor, mas que possuam ao mesmo tempo aspectos sensíveis - o "Neossexual". Nós temos que balancear todas essas características sem nos excedermos em nenhuma delas. Pensando bem, não são apenas os marqueteiros que estão com problemas para entender as novas consumidoras. Nós também vamos cortar um dobrado para entender o que de fato querem de nós essas mulheres do século 21.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Americanos não são mais os mesmos

A tese de que os americanos estão mudando a forma de pensar e reavaliando seus padrões de consumo ganhou força no ano passado com a publicação de “The Way We’ll Be” (numa tradução livre, “O Jeito Como Vamos Ser”), livro escrito por John Zogby, presidente da Zogby International, um dos mais importantes institutos de pesquisa dos Estados Unidos. Com base em seus estudos de opinião e mercado, Zogby aposta que a sociedade norteamericana passa por uma transformação, que inclui a substituição do consumo desmedido e ostensivo por uma nova consciência global. Essa transição, segundo Zogby, alimenta quatro tendências principais:

1) A incorporação de um estilo de vida mais simplificado, que leva em consideração os limites impostos pela escassez dos recursos naturais do planeta;

2) O respeito à diversidade, não apenas étnica, mas também de pontos de vista e estilos de vida;

3) A busca por valores essenciais e conforto espiritual

4) A demanda por autenticidade por parte das marcas, da mídia, das instituições e dos líderes da nação.

Se o autor estiver certo, veremos nos próximos anos os americanos mais interessados em conforto e conveniência do que em luxo e extravagância. Outras conseqüências seriam a adesão dos Estados Unidos ao time dos que lutam verdadeiramente pela preservação do planeta e o fim gradual do individualismo materialista que alimentou a ganância de muitos e, de certa forma, esteve presente na gênese da crise financeira que hoje contamina a economia global. Quanto à questão da diversidade, a eleição de Barack Obama parece de fato confirmar o acerto dos prognósticos de Zogby.

Historicamente temos sido influenciados pela cultura americana. Apesar da enorme distância que hoje nos separa, será que receberemos ainda assim alguns dos bons fluidos emanados pela revolução de valores que começa a tomar conta do vizinho de cima? Essa é uma pergunta que provavelmente nos faremos várias vezes no decorrer de 2009.

PCs têm queda brusca nas vendas no Brasil

A crise bateu também às portas do mercado de computadores no Brasil. Reportagem publicada hoje pelo jornal Valor Econômico mostra que as projeções do setor apontam para uma queda de cerca de 10% nas vendas de computadores pessoais no 4o trimestre do ano passado, na comparação com o mesmo período de 2007.

A notícia merece destaque porque é a primeira vez em 4 anos que esse mercado anda para trás. Para você ter uma idéia, entre 2004 e 2007 a indústria de computadores no país cresceu em ritmo superior a 80% ao ano. Boa parte do boom na venda dos PCs foi causado pelo barateamento do produto. Afinal, durante os anos de vacas gordas o preço médio dessas máquinas caiu praticamente pela metade aqui no Brasil.

Porém, assim como os veículos e os eletrodomésticos, as vendas dos computadores dependem fortemente do crédito. E como se sabe, a concessão de crédito ficou mais cara e difícil. Além disso, a subida do dólar provocou também aumento no preço dos produtos e componentes importados.

O resultado foi uma freada brusca na venda de PCs no final de 2008. Estima-se que tenham sido vendidos no país cerca de 2 milhões e 700 mil computadores nos últimos 3 meses do ano passado, contra pouco mais de 3 milhões de máquinas em 2007. Esse cenário, segundo os especialistas, deve se repetir no começo de 2009.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Desemprego no Brasil fechou 2008 em baixa, mas 2009 preocupa

Os americanos receberam com profundo desânimo a informação de que mais de 500 mil pessoas haviam perdido o emprego nos EUA, apenas em dezembro do ano passado. Os brasileiros, por sua vez, se espantaram ao saber, por intermédio do Ministério do Trabalho, que a coisa por aqui tinha sido ainda pior – no último mês de 2008 nada menos que 654 mil empregados com carteira assinada foram para a rua. Será que situação no Brasil anda mais complicada do que no país de Obama?

De acordo com a mais recente Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE, divulgada ontem, apesar dos números ruins de dezembro, o país terminou 2008 com a menor taxa de desemprego dos últimos tempos. No fechamento do ano, 6,8% dos brasileiros estavam sem trabalho – para efeito de comparação, vale lembrar que ao final de 2003 este percentual era de 10,9%. Em termos práticos, isso significa que o ano passado deve ficar na história como um dos melhores da vida recente do Brasil, do ponto de vista da economia.

Isso nao significa, entretanto, que estamos voando em céu de brigadeiro. Na verdade, as demissões no Brasil se intensificaram no finalzinho do ano passado e as vagas eliminadas talvez nao sejam reabertas tão cedo, em função da queda na demanda observada em diversos setores. Várias pesquisas feitas no país a partir de setembro mostravam que os consumidores pisariam mais forte no freio se percebessem o desemprego aproximando-se do seu círculo de convivência ou se sentissem dificuldades para pagar as dívidas contraídas nos tempos de vacas gordas. Pois bem, além da tendência de aumento das demissoes e reduçao de abertura de novas vagas, a inadimplência das pessoas físicas subiu para 8% no encerramento de 2008, segundo dados da Serasa. Pior – houve um aumento de quase 13% no número de contas em aberto em dezembro, na comparação com 2007. É por essas e por outras que até mesmo os otimistas de carteirinha resolveram colocar as barbas de molho neste começo de 2009 e adotar a cautela como lema.

Mais de 80% dos americanos têm problemas nos shoppings de lá


Pesquisa feita pela Wharton University mostrou que os shoppings americanos possuem um público fiel. Mas parece que essa fidelidade está sendo retribuída com um certo descaso. A pesquisa mostrou que em geral 81% dos consumidores americanos experimentam algum problema ao visitar um shopping. E não pense que é um único probleminha não. São em média 3 problemas em cada visita.

Para o pessoal que fez a pesquisa problema pode ser tanto a dificuldade de achar uma vaga no estacionamento quanto cheiro ruim no banheiro ou tamanho da praça de alimentação. O estudo verificou ainda que as pessoas que não tiveram problemas apresentam maior nível de satisfação e, claro, maior probabilidade de falar bem do shopping para os outros.

Curiosamente, os problemas mais freqüentes relatados pelos entrevistados não eram relacionados com segurança, limpeza, atendimento nas lojas ou sinalização deficiente. A maior queixa dos consumidores americanos é com a falta de variedade de opções no mix de lojas e com a mesmice, ou seja, os shoppings são todos mais ou menos iguais, com as mesmas lojas, os mesmos eventos e a mesma propaganda. A falta de novidades é também o principal motivo pelo qual os clientes reduzem o tempo de permanência e o gasto médio dentro de um shopping nos Estados Unidos. E é também o fator que mais leva esse consumidor a trocar um shopping pelo outro.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Vendas de CDs caem. Downloads e ingressos de shows sobem

O jeito como consumimos música definitivamente mudou. Dados divulgados nos Estados Unidos pela Nielsen SoundScan mostram que a venda total de álbuns, somando CDs e downloads integrais de discos, caíram 14% em 2008, na comparação com 2007. Desde 2000, a queda acumulada já chega a 45%. A situação deve piorar agora em 2009, por conta da crise no varejo americano, que deve reduzir o espaço para venda de CDs em suas lojas.

Por outro lado, a compra de canções pela internet não para de subir. No ano passado foram baixadas legalmente algo em torno de 1 bilhão de músicas, 27% mais do que em 2007. Para você ter uma idéia, apenas 5 anos atrás as vendas de canções pela web não passavam de 19 milhões de faixas. Apesar desse desempenho impressionante, o aumento de vendas de músicas pela internet não é suficiente para compensar as perdas com a queda dos CDs. A saída para as gravadoras é apelar para outras fontes de receita, como ringtones, licenciamento de produtos e shows. Aliás, esse foi um setor que até conseguiu crescer nos Estados Unidos, apesar da crise. A venda de ingressos para shows em 2008 subiu 7% e a arrecadação total chegou a 4 bilhões e 200 milhões de dólares. Isso significa que os artistas continuarão colocando o pé na estrada, o que é bom para nós brasileiros, já que nosso país parece ter entrado de vez no roteiro dos astros da música pop.

Marcas próprias avançam na crise

Crescente número de consumidores americanos está desistindo de escolher marcas renomadas na hora de comprar produtos básicos para casa, em função da crise. Isso ao mesmo tempo obriga os fabricantes de produtos mais caros a rever suas estratégias e abre enormes oportunidades para varejistas como Wal-Mart e Walgreen, que pretendem concentrar ainda mais esforços na divulgação de suas marcas próprias de baixo custo.

Nos Estados Unidos as grandes indústrias ainda controlam o mercado – as marcas próprias do varejo ficaram com apenas 5,4% das vendas totais de produtos para casa em 2007, segundo dados do Euromonitor International. Entretanto, marcas dos supermercados já respondem por 15% das vendas de papel higiênico em território americano. O mesmo não acontece, por exemplo, com cremes dentais, o que demonstra que a penetração de produtos mais baratos é mais significativa em categorias de baixo envolvimento.

Porém, se depender da vontade dos varejistas, esse panorama deve mudar. O Wal-Mart aposta no relançamento da marca ‘Great Value’, com 5.500 itens, na certeza de que essa linha se tornará mais importante na medida em que os consumidores se tornem mais sensíveis a preço. A Target, outro importante ‘discounter’ americano, também pretende aumentar o foco nas marcas próprias. Faz sentido. As vendas totais de suas marcas em produtos básicos têm crescido em ritmo superior a 15% ao ano, nos últimos 5 anos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Dica de livro: Buy-Ology

Muitas teorias já foram desenvolvidas sobre a influência das marcas e da publicidade no comportamento de compra das pessoas. Recentemente a ciência resolveu dar a sua contribuição a esse debate ao emprestar técnicas anteriormente usadas para estudos neurológicos a pesquisadores da área de marketing. Gerald Zaltman, sociólogo e professor de Harvard, publicou em 2003 ótimo livro chamado ‘How Customers Think’, que em português ganhou a equivocada tradução de ‘Afinal, o que os Clientes Querem?’. Ano passado foi a vez do consultor Martin Lindstrom navegar nas águas do neuromarketing, com o seu ‘Buy-Ology’, livro que resume os resultados de três anos de estudos feitos em parceria com pesquisadores de Oxford.

Depois de expor cerca de 2 mil voluntários de diferentes partes do planeta a distintos estímulos de marketing e radiografar suas mentes durante as experiências, Lindstrom acredita ter confirmado teses e derrubado mitos sobre a eficácia das estratégias de marketing. Um exemplo interessante é a analogia entre marcas e religião. O estudo comprovou que as manifestações cerebrais de freiras rezando e de consumidores expostos a produtos icônicos, como um iPod e uma motocicleta Harley-Davidson são praticamente idênticas. A relação entre consumo, cheiros e música, as mensagens subliminares que recebemos diariamente das marcas e a força dos rituais compartilhados inconscientemente, como o hábito de abrir o biscoito recheado, lamber o recheio e depois comer cada metade, são outros temas abordados no livro.


Apesar de ainda não ter sido traduzido para o português, o Buy-Ology pode ser comprado em livrarias brasileiras, como a Saraiva e a Cultura.

Buy-Ology – Truth and Lies About Why We Buy. Martin Lindstrom, Editora Doubleday, 240 páginas, R$ 77,80

O que as agências esperam de 2009

No final do ano passado conversei com vários donos de agências para saber o que eles esperam de 2009. O objetivo era fazer um especial que foi ao ar na Band News FM em dezembro. Divido com você alguns dos melhores momentos:

- Alexandre Gama, presidente da Neogama, BBH

Eu acho que em 2009 nós vamos ter a chance de separar o joio do trigo, porque teremos um cenário em que as lideranças empresariais vão precisar ser muito boas, muito competentes. Até agora eu diria que todos os líderes em todos os setores vinham dirigindo um avião no piloto automático, o tempo era muito bom, a velocidade de cruzeiro e o piloto não precisava nem estar na cabine. Agora tem uma tremenda tempestade à frente e todo mundo terá que entrar na cabine e pegar o manche na mão. E é nessa hora que você vê quem é líder, quem é empresário, quem sabe lidar com a adversidade e quem na verdade só sabe conduzir o avião no piloto automático. Ou seja, também tem um fator positivo nessa crise, que é a depuração, em vários sentidos, da competência que existe no país. Ela mostrará a diferença entre os que ficam chorando e os que vendem lenço e vai evidenciar aqueles que realmente sabem aproveitar as oportunidades. Vai ser um ano duro, mas muito revelador da capacidade do empresário brasileiro e do próprio país. Essencial será lembrar que crise e criatividade começam com a mesma sílaba – mas a segunda possui a palavra ‘atividade’ no final. A criatividade tem o poder de movimentar, de tirar o consumidor da apatia. Eu acredito muito na criatividade como uma ferramenta que ajuda você a superar dificuldades. Ela é especialmente valiosa quando as coisas à frente estão indefinidas.

- Luiz Lara, presidente da Lew, Lara

Eu acho que nós estamos no meio de um tsunami. Houve uma baita crise financeira mundial, que já está ao afetando a economia real, e o Brasil não vai ficar ileso. Mas eu não tenho a menor dúvida de que o país reúne hoje melhores condições do que em qualquer outra crise do passado e que nós vamos continuar a crescer em 2009, embora menos do que em 2008. O Brasil conta hoje com uma economia emergente, com 89 milhões de consumidores de classe média, 23 milhões dos quais ingressaram recentemente na Classe C, que vão continuar acordando, tendo três refeições por dia e consumindo, ainda que menos. Por isso, nós não podemos parar de anunciar, porque a marca que pára de anunciar abre uma enorme oportunidade para um concorrente crescer no seu mercado. Existem vários exemplos de marcas que prosperaram na crise porque, mesmo investindo menos, conseguiram fazer uma propaganda criativa, conciliando o trabalho de construção e posicionamento de marca com alavancagem de venda. Nem que a gente tenha uma pegada mais forte de varejo, não podemos deixar de manter a relação da marca com o consumidor. Mais do que nunca a comunicação é imprescindível nesse momento para que a empresa mostre a sua postura de parceira do consumidor, mesmo na crise.


- José Eustachio, vice-presidente da Talent

O efeito dessa turbulência que nós estamos vivendo varia de segmento para segmento. Eu tenho clientes que estão muito condicionados na sua performance ao câmbio e por isso estão assumindo estratégias mais radicais. Por outro lado tenho clientes como os de varejo, que estão até de certa forma sendo beneficiados, porque há uma tendência da indústria de produtos de consumo em transferir mais verbas para que o varejo possa acelerar o giro dos seus produtos no ponto de venda. Há ainda o exemplo da Ipiranga, que possui uma visão expansionista, porque está se beneficiando do aumento da frota de automóveis colocada no mercado. Ainda que essas pessoas rodem um pouco menos, elas continuarão a demandar combustíveis e serviços. Então você percebe claramente uma diferença entre os distintos setores.

- Bob Vieira da Silva – presidente da Nova/SB

Acredito que o ano de 2009 será bem atípico para o mercado publicitário e que os seis primeiros meses serão muito difíceis em todos os sentidos. O Brasil hoje tem um mercado interno bastante forte, que nos protege um pouco dessa grande crise internacional, mas infelizmente nós vamos sofrer um pouco, como todo mundo, as conseqüências da crise. Mesmo assim, as empresas não podem agir apenas por impulso ou influenciadas pela percepção de crise que acabou contaminando o mercado. Devem, ao contrário, tentar buscar alternativas e buscar formas diferenciadas de entender o seu consumidor e estar perto dele.

Voltamos!

Feliz Ano Novo para todo mundo!