quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Brasil redescoberto - a classe média e a baixa renda turbinam o consumo

Ontem foi 22 de abril, dia que se comemora o descobrimento do Brasil. Apesar do país ter sido encontrado pela esquadra de Cabral há 508 anos, tem um outro Brasil sendo descoberto agora, em pleno século 21, pelos executivos de marketing e pelas agências de propaganda. Eu estou falando, é claro, da ascensão da nova classe média e dos consumidores de baixa renda.

Durante muito tempo, o mercado dependeu dos recursos escassos de uma classe média sufocada por preços em alta e salários em baixa. Para você ter uma idéia, apesar de toda a melhoria no país nos últimos anos, o rendimento médio dos trabalhadores brasileiros hoje ainda é menor do que o de 1996, ou seja, 12 anos atrás. Para piorar, naquela época o crédito era mais caro e mais difícil, especialmente para os trabalhadores sem carteira assinada. Por isso, no passado recente, o assunto preferido do pessoal de marketing no Brasil era o mercado de luxo. Apareceram MBA da gestão de luxo, teses, livros e muitos negócios voltados para uma parcela muito pequena da população, que tinha muito dinheiro e sustentava sozinha boa parte do consumo.

Hoje a coisa já é bem diferente. Apesar dessa parcela de endinheirados continuar gastando muito, o consumo das famílias está sendo turbinado pela classe média emergente e pelo povo de baixa renda, com a ajuda do crédito facilitado, é claro. Eles gastam menos que a elite, mas são muito, mas muito mais numerosos. A revista Exame dessa quinzena publicou uma previsão de especialistas dando conta que o consumo anual no Brasil deve crescer de 780 bilhões de dólares em 2007 para 1 trilhão em 2012, ou seja, mais 28%, justamente por causa desses novos consumidores.

Por enquanto, essas pessoas estão tirando o atraso e comprando o que falta nas suas casas e nas suas vidas, o que facilita bastante a vida do pessoal de marketing – a tarefa deles é oferecer bons preços e principalmente boas condições de pagamento. Mas, daqui a pouco, vai ser preciso convencer esses consumidores a comprar mais e a escolher uma marca em detrimento das outras. E aí os profissionais de marketing e propaganda, que passaram tanto tempo vendendo para um pessoal de melhor poder aquisitivo, vai precisar ajustar a sintonia e afinar o discurso para falar com o Brasil de verdade.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sony põe no ar filmes da década de 80 para divulgar programa de reciclagem

A Sony resolveu fazer da reciclagem de produtos e componentes eletrônicos sua bandeira no movimento que empresas no mundo todo realizam em favor do meio ambiente. Para você ter uma idéia, a marca promove mega eventos em 40 cidades americanas para incentivar as pessoas a enviar para reciclagem seus velhos equipamentos.

O curioso é que para divulgar esses eventos, a Sony decidiu exibir na TV comerciais bem antigos, de uns 20 anos atrás. Matéria publicada pela Ad Age no mês passado mostrou que a idéia é reciclar a propaganda para lembrar aos consumidores que eles também podem reciclar seus velhos aparelhos eletrônicos.

Em um desses filmes aparece um pai gravando em vídeo tape, com uma câmera enorme, a brincadeira da esposa e da filha no jardim. Outro mostra um garoto que toca piano tendo ao lado um gigantesco gravador cassete. Os comerciais são veiculados somente na cidade onde acontecerá o evento de reciclagem, alguns dias antes do dia marcado, para atrair um número maior de participantes.

Estima-se que nos Estados Unidos serão jogados no lixo comum mais de 2 milhões de toneladas de eletrônicos velhos, apenas esse ano. Somente 11% desse material será reciclado. Por isso é tão legal essa idéia da Sony de oferecer aos clientes pontos de recolhimento de aparelhos velhos perto de casa. Pena que essa iniciativa ainda não tenha chegado aqui ao Brasil

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Tecnologia dos celulares agora invade os brinquedos infantis

A notícia saiu no Wall Street Journal. Este ano um novo e poderoso equipamento que permite enxergar no escuro com a ajuda de raios infravermelhos e sofisticados sensores será lançado no mercado. Mas o produto não será dirigido a investigadores particulares ou policiais. Bem ao contrário, é um brinquedo de criança chamado ‘EyeClops Night Vision’.

O preço desse brinquedo vai girar em torno dos 80 dólares (R$ 136), bem menos do que os 250 dólares que custaria se fosse lançado poucos anos atrás. O motivo para essa queda no preço pode parecer surpreendente – ela se deve à crescente popularidade das câmeras digitais nos telefones celulares. Um importante processador de imagem usado nos celulares com câmera ficou mais barato nos últimos anos em função do bom desempenho da indústria de telefonia móvel.

Durante muito tempo a dispendiosa tecnologia ótica raramente era vista nos brinquedos, porque os preços dos produtos ficavam fora do alcance dos pais. Mas a demanda por eletrônicos pessoais – câmeras digitais, celulare e TVs de tela plana – fez com que os valores dos componentes caíssem, favorecendo os fabricantes de brinquedos. Como conseqüência, brinquedos com alta tecnologia chegarão às lojas com preços razoáveis.

Outro exemplo disso é um cachorro mecânico de pelúcia, chamado ‘Lucky’, que é capaz de responder a 16 comandos verbais usando um microprocessador semelhante à tecnologia de ativação por voz usada em celulares. As crianças poderão ordenar que Lucky deite, sente ou se sacuda. Graças à redução dos custos dos componentes, o brinquedo chegará às lojas por 30 dólares (R$50).

E assim, a tecnologia vai ficando mais acessível e por isso mesmo invade as lojas de brinquedos e as vidas dos nossos filhos, fazendo com que as brincadeiras de adultos e crianças fiquem cada vez mais parecidas.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Mais dados sobre a pesquisa do Fractal sobre os pagamentos da Baixa Renda

O tema da coluna de hoje, tanto no Blue Bus quanto na Band News FM é um estudo do Fractal que confirma a percepção do mercado de que os consumidores de baixa renda não sabem quanto pagam de juros nas suas compras parceladas - clique aqui para ouvir o áudio do boletim.

A pesquisa do Fractal também fez uma lista de prioridades de pagamento da baixa renda, ou seja, a ordem em que as contas são pagas a medida que o dinheiro vai entrando. Veja abaixo a tabela completa com as 20 primeiras dívidas pagas pelos brasileiros mais pobres:

1) Conta de luz
2) Conta de água
3) Parcela emp/CDC obtido p/ financeira
4) Conta de telefone fixo
5) Crédito para celular
6) Fatura do cartão de crédito
7) Parcela mensal do empréstimo bancário
8) Conta de telefone celular
9) Aluguel da residência
10) Boleto bancário
11) Prestação mensal do automóvel financiado
12) Recarga do bilhete único
13) Condomínio
14) Mensalidade escola/faculdade
15) Utilização do limite do cheque especial
16) Despesas com médico/dentista
17) IPTU
18) Prestação da casa própria
19) Seguro do automóvel
20) Taxa de lixo

A diferença entre as gerações nas compras pela Internet


Estudo divulgado em janeiro pelo Pew Internet and American Life Project mostrou que os jovens devem aumentar suas transações na web, em função da conveniência e da facilidade em localizar ofertas. Mas os consumidores maduros ainda se preocupam com segurança e outros obstáculos. Nada menos que 62% dos internautas com menos de 30 anos acreditam que a Internet é o melhor lugar para achar pechinchas, mas apenas 32% das pessoas com mais de 65% acham o mesmo.

Esse abismo entre as gerações é uma questão de hábito, afirmam os autores da pesquisa. Afinal os mais velhos se acostumaram a comprar em lojas a vida toda. Curiosamente, entretanto, quando o assunto é o fornecimento do número do cartão de crédito na rede, os resultados são mais parecidos – 71% dos mais novos e 82% dos mais velhos não gostam de dar essa informação.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Eles compram o produto sem saber o que tem dentro

Sabe aquelas vezes em que alguém pergunta o que você quer beber e aí você responde distraído – ‘qualquer coisa’ ou ‘tanto faz’? Pois é, se você estiver em Singapura, tome cuidado. Porque ‘Anything’ e ‘Whatever’, que em português quer dizer, ‘Qualquer coisa’ e ‘Tanto faz’ são agora marcas de um fabricante de bebidas daquele país. Quem conta é o pessoal da TrendWatching.

‘Qualquer coisa’ é um refrigerante gasoso, que conta com 6 sabores diferentes. Já ‘Tanto Faz’ é um chá gelado que também possui 6 sabores distintos, tais como uvas brancas, maçã e crisântemo.

Só tem um detalhezinho – quando você pede Qualquer Coisa ou Tanto faz, lá em Singapura, não sabe exatamente qual o sabor que vai tomar. É isso mesmo, do lado de fora da embalagem só existe a lista dos diversos sabores. O que tem dentro da lata o sujeito só sabe quando dá o primeiro gole. Não é incrível? O mais impressionante é que os consumidores, especialmente os mais jovens, estão adorando essa história.

Por trás dessa iniciativa está a confirmação de que as pessoas estão consumindo menos os produtos e mais as experiências. Estão comprando menos os objetos e mais as sensações provocadas por esses objetos. De certa forma, quando a gente compra um celular mais pelo design e pela marca do que pelo o que ele realmente faz, estamos de algum modo repetindo o que acontece em Singapura com os fãs de ‘Qualquer Coisa’ e ‘Tanto Faz”.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O problema é o mesmo, seja no Chile, no Brasil ou nos Estados Unidos

Estive na semana passada em Santiago, fazendo palestras para comerciantes chilenos. E senti claramente que o clima geral por lá é de preocupação. Apesar das vendas nos supermercados terem crescido quase 7% e a produção industrial ter avançado quase 6% agora em fevereiro, o Índice de Confiança Empresarial anotado em março é de menos 6 pontos. No comércio o pessimismo alcança 10 pontos. E a bolsa de valores fechou o primeiro trimestre com baixa de 4,9%, o pior resultado desde 1995. O maior medo é que a crise internacional possa contagiar a economia chilena.

Porém, quando a gente visita os shopping centers chilenos, fica difícil acreditar que a situação esteja mesmo tão ruim assim. Tem muita gente comprando, lojas muito bonitas e marcas maravilhosas. O curioso é que um dos problemas principais apontados pelos consumidores no Chile é bem parecido com as mazelas que afligem tanto o comércio brasileiro quanto o americano. Eu estou falando do atendimento ao cliente.
Uma pesquisa feita no final do ano passado aqui no Chile mostrou que apenas a metade das empresas do setor de serviços tem algum estudo anual para medir a satisfação dos clientes. Somente 1/3 dessas empresas gerenciam a qualidade do atendimento e uma quantidade bem pequena, 17%, gerenciam as reclamações de seus clientes.
O que acontece é que a imensa maioria das empresas ainda coloca o foco principal na transação, esquecendo que hoje, em função da intensa competição de mercado, o relacionamento é um diferencial cada dia mais relevante para os consumidores. O resultado é isso aí – em todas as partes do mundo há clientes insatisfeitos, mal tratados e que por isso mesmo compram menos do que poderiam comprar, porque as empresas priorizam a venda em detrimento do bom atendimento.
Uma prova disso é que os vendedores de loja são geralmente recompensados quando batem metas de venda, mas raramente são reconhecidos quando proporcionam um atendimento especial para alguém.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

McDonald's dá voz aos funcionários

Várias empresas já perceberam que não basta oferecer bons salários e treinamento adequado aos funcionários para garantir aquele engajamento tão sonhado. É preciso também criar programas inovadores para aumentar o espírito de time e o orgulho de trabalhar naquele lugar.
Um bom exemplo é o concurso ‘Vozes do McDonald’s’, que a rede de lanchonetes promove esse ano pela segunda vez. Trata-se de uma competição de canto entre gerentes e atendentes dos vários países onde o McDonald’s atua.

Funciona assim - os candidatos enviaram vídeos de suas apresentações para a sede da empresa, nos Estados Unidos, onde um júri avaliou a técnica de canto, criatividade e presença de palco de cada um. Ao final, 35 pessoas foram selecionadas como semifinalistas. Depois, os clientes do McDonald’s entraram em ação, escolhendo pela Internet os 14 finalistas, que decidirão a parada agora, no dia 14 de abril, durante a Convenção Mundial da empresa, que acontecerá em Orlando, na Flórida. O primeiro colocado leva para casa 25 mil dólares de prêmio. Detalhe – a vencedora do primeiro ‘Vozes do McDonald’s’, em 2006, foi uma brasileira, a Elisângela Silva dos Santos, que na época trabalhava em Osasco, em São Paulo.

Essa é um bela campanha de marketing dirigida para funcionários, que certamente ajuda a melhorar o astral e o atendimento aos clientes nas lojas.