sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O conceito de moda chega às águas minerais

Agora até água mineral já trabalha com o conceito de coleção, antes exclusivo do mundo da moda. Acaba de chegar aos supermercados brasileiros uma série especial da água mineral francesa Perrier, que teve a garrafa e o rótulo desenhados por uma grife catalã chamada Custo Barcelona. A idéia é que outros estilistas sejam também convocados para tarefa semelhante no futuro.

Antes da Perrier, outros setores já haviam seguido a mesma estratégia. Existem hoje celulares com a marca Prada, Dolce & Gabanna e Armani, pen drives da Swarovsky, capas para iPod da Louis Vuitton e laptops com a marca Ferrari. Isso sem falar na indústria automobilística, que agora pesquisa nas passarelas do mundo todo cores inusitadas, como chocolate, beringela, azul cobalto e laranja, para seus novos carros.

Por trás desse fenômeno está a crescente dificuldade das marcas em se diferenciar simplesmente por conta dos seus atributos físicos. Ou seja, os produtos fazem mais ou menos a mesma coisa e possuem qualidade similar. Além disso, parece não ter fim a sede dos consumidores por marcas capazes de agregar prestígio e sinalizar aos outros suas identidades sociais.

Em resumo, nesses novos tempos em que vivemos, o conceito de qualidade é um pouco mais amplo. E inclui, além de desempenho, atributos como design, estilo e glamour.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Starbucks tenta dar a volta por cima nos EUA


Ao contrário do Brasil, onde já abriu 10 lojas, todas em São Paulo, e avança de vento em popa, a rede de cafés gourmet Starbucks anda penando nos Estados Unidos. Ao priorizar a expansão dos negócios em detrimento da qualidade do atendimento ao cliente, a marca perdeu vendas e ganhou muitas críticas. Para piorar a situação, os concorrentes investiram na qualidade de seus cafés, diminuindo a distância entre o produto da Starbucks e os de seus competidores.


Por isso tudo, Howard Schultz, principal responsável pelo sucesso da Starbucks, reassumiu o posto de chefe executivo da empresa, para reverter a situação e recuperar o prestígio junto à sua legião de clientes fiéis. A jogada mais recente de Schultz foi fechar todas as lojas nos Estados Unidos, nessa 2ª feira agora, por 3 horas e meia, para treinamento dos funcionários.


Você pode pensar – mas precisava treinar todo mundo ao mesmo tempo e no meio do expediente? A resposta é não, claro que não. Mais do que um esforço de treinamento, essa idéia é uma ação publicitária para sinalizar o compromisso da Starbucks em dar a volta por cima e oferecer novamente aquele atendimento de primeira.

Resumindo, hoje em dia é difícil chegar ao topo e mais difícil ainda se manter lá. Para não ter que passar pelo que a Starbucks está passando lá fora, as marcas devem seguir à risca aquele ditado – é melhor prevenir do que remediar.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Afinal, endividamento é bom ou não para o consumidor?

Hoje a coluna no Blue Bus falava sobre o papel do crédito no consumo do brasileiro. A respeito do assunto, recebi o seguinte e-mail do leitor Marcus Vinicius Foureaux, Diretor de Criação da FX Comunicação:




"Caro Luís, bom dia.

Comentando seu post no Blue Bus, na minha opinião, o problema é que crescimento econômico baseado em crédito é um risco que nem a maior economia do mundo conseguiu ficar imune a ele. Basta ver o tamanho do abacaxi que estão tendo que descascar pra não deixar a porca deles perder o rabo de vez.

Crescimento realmente sustentável, é quando as pessoas passam a ganhar mais e a consumir sem fazer dívidas, muitas delas impagáveis. E quem acabar saindo no prejuízo mesmo, são os donos de pequenos negócios, que não têm como se associar aos serviços de proteção ao crédito e ficam sem receber. Explico: se um cidadão tem uma prestação de R$ 60,00 do financiamento da geladeira nova e uma conta na padaria do bairro no mesmo valor e só tem R$ 60,00 disponíveis (o que não é raro acontecer), o que ele faz? Paga o carnê pra não "ir para o SPC" e o "seu Zé" que tenha um pouquinho mais de paciência... O resultado disso? As instituições financeiras "nunca antes na história desse país" ganharam tanto dinheiro e tiveram lucros tão grandes.
Enquanto isso, o "seu Zé" da padaria...

Otimismo é bom, mas tapar o sol com a peneira e fingir que está tudo bem, é outra coisa."


Agora, leiam a resposta que enviei ao Marcos:


"Olá Marcus,

O problema dos EUA é que o índice de endividamento da população é exorbitante. Para você ter uma idéia, o volume de crédito concedido nos EUA hoje corresponde a 164% do PIB deles. Por aqui, o volume de crédito ainda não bateu 40% do PIB. Ou seja, o crédito ainda tem espaço para crescer e vai continuar a fazer a diferença em 2008, especialmente nos setores automotivos, imobiliários e de eletrônicos. Essa pelo menos é a minha visão.

Quanto ao prejuízo do Seu Zé, é verdade que ele sofre mais com os riscos da inadimplência. Porém, cedo ou tarde boa parte dos inadimplentes acabam pagando, porque também precisam do crédito na padaria e na venda e no boteco. Mas não há dúvida alguma acerca do que você diz – o ideal é promover o aumento da economia e elevar a renda da população. Só tem uma coisa – mesmo com mais dinheiro no bolso, o consumidor vai continuar a acessar os serviços de crédito, seja para trocar de carro, para pagar aquela viagem de férias, ou para comprar a TV de 29 polegadas. Nossa capacidade de querer sempre mais é inesgotável. E quanto mais confiante e abastecido de recursos o brasileiro estiver, mais vai recorrer ao crédito para dar upgrade nas coisas que possui.

Note que estou apenas relatando um fenômeno da economia e do consumo e não defendendo isso como a coisa certa a fazer. Pessoalmente tenho sim sérias preocupações em relação ao consumismo desenfreado. Mas esse é outro assunto, para outra coluna. ;-)

Grande abraço e bom final de semana,

Luiz"

O Marcus respondeu assim:

"Olá, Luiz.


Realmente, o nível de endividamento, assim como o nível de volatilidade da economia americana é muuuuuio maior do que o nosso. E ainda tem o fato de que a maioria dos ativos das principais empresas americanas estão nas mãos de acionistas que não têm nada mais do que papéis nas mãos, o que gera uma espécie de "second life" na economia (rs). Basta ver que eles têm uma bolsa de valores específica para as empresas de tecnologia, cujo principal capital é intelectual e volátil. Mas, como vcv mesmo disse, isso é assunto que rende uns 100 artigos ou até mesmo um livro.

Grande abraço."

E você, o que pensa? Quer participar dessa conversa? Poste aqui seu comentário.

Homens que também adoram jóias

Mais um tabu vai caindo no mundo masculino. Depois de aderir às roupas da moda, aos produtos de beleza e às cirurgias plásticas, agora os machos do século 21 voltam seus olhos para as jóias.
Para vocês terem uma idéia, as vendas de jóias masculinas praticamente dobraram entre 2004 e 2006 nos Estados Unidos. E se você pensa que os compradores são apenas aqueles jovens do hip hop, você está redondamente enganado. Tem muitos executivos e até mesmo homens maduros usando cordões com pingente de pérola, anéis com diamantes, braceletes de ouro e relógios cravejados de brilhantes.

Pesquisa recente feita pela Harris Interactive mostrou que mais da metade dos americanos acredita que usar jóias é algo sofisticado e que está na moda.Ou seja, tem mesmo um novo mercado em expansão para quem trabalha com jóias.

Este é mais um sinal dos novos tempos, nos quais os mundos de homens e mulheres vão se aproximando cada vez mais. Os homens se enfeitam para encantar as mulheres e também porque as incursões femininas nos territórios antes exclusivamente masculinos deram aos rapazes o estímulo necessário para investir na própria vaidade.

Detalhe curioso – as pesquisas mostram que apesar de toda a aceitação das jóias pelos homens modernos, tem ainda uma situação em que eles preferem deixar os enfeites em casa. É na hora de fazer uma entrevista de emprego. Prova de que modernidade também tem limite.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Comércio eletrônico americano ainda tropeça no básico




É impressionante perceber como um setor que faturou 220 bilhões de dólares em 2006 pode cometer falhas tão elementares e frear o próprio crescimento, que podia ser bem maior do que os atuais 25% ao ano. Você pode não acreditar, mas eu estou falando do varejo online norte americano. Sucharita Mulpuru, analista da Forrester Research, fez uma corajosa apresentação na convenção da NRF (National Retail Federation), que aconteceu mês passado em Nova Iorque, mostrando que o comércio pela Internet nos EUA ainda tropeça no básico. Sucharita listou 5 verdades sobre o varejo eletrônico em seu país:

1) comprar pela internet ainda não é fácil
2) os varejistas ainda não encontraram o melhor jeito de contabilizar os lucros obtidos nas vendas pela web
3) os profissionais de ecommerce observam mais o comportamento dos consumidores do que escutam o que eles têm a dizer
4) os sites não gerenciam seus estoques muito bem
5) os comerciantes ainda não abraçaram com convicção a estratégia de sinergia entre os diferentes canais.


Durante a sua breve, mas firme participação, Sucharita deu exemplos que poderiam soar familiares aos brasileiros. Falou sobre produtos que não foram entregues no prazo, sobre páginas que não davam todas as informações necessárias, sobre sites fora do ar com freqüência assustadora, sobre serviços de atendimento ao consumidor que em lugar de resolver o problema da cliente sugeria que ela fosse até uma loja física e lá tirasse suas dúvidas sobre o produto (veja cópia desse e-mail na foto acima), sobre investimentos mais voltados para aquisição de novos clientes do que para a retenção dos clientes atuais – isso para citar apenas alguns pontos abordados por ela.


Ao final, para não parecer que só apontava problemas, Sucharita sugeriu algumas soluções para o setor, tais como criar padrões para apresentação de produtos nos sites de compra, investir em logística de entrega dos produtos, pensar de maneira mais abrangente em marketing interativo, priorizar a retenção de clientes, ouvir os consumidores e repensar a independência da web como canal de vendas – melhor seria integrá-la em um sistema sinérgico em que pesquisas na web possam conduzir para vendas nas lojas físicas e vice-versa.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Os comerciais do Super Bowl desse ano

Enquanto a maioria dos brasileiros respirava carnaval, nos Estados Unidos acontecia o Super Bowl, que é como os americanos chamam a final do campeonato de futebol americano. O jogo foi entre o New England Patriots, time em que joga o felizardo namorado da Gisele Bünchen, o quarterback Tom Brady, e o New York Giants, que entrou como a grande zebra da final. Pois não é que deu zebra? O time de Nova Iorque venceu por 17 a 14, com um touchdown marcado a 39 segundos do fim do jogo.

O Super Bowl também é conhecido pelos comerciais fantásticos que várias marcas programam para esse que é o show de maior audiência na TV americana. O resultado é que os americanos prestam tanta atenção ao jogo quanto aos comerciais que passam nos intervalos. Esse ano foram exibidos mais de 50 filmes, de diversos anunciantes. O custo estimado de veiculação é de 2 milhões e meio de dólares por comercial de 30 segundos.

Apesar de toda a expectativa, na minha opinião anunciantes e as agencias deixaram um pouco a desejar esse ano. O que se viu foi uma preocupação muito grande em divertir o telespectador em detrimento do posicionamento da marca e da demonstração dos atributos do produto. Por exemplo, para agradar aos consumidores, as agências americanas usaram e abusaram da presença de animais. Para você ter uma idéia, o filme mais bem votado pelos leitores do jornal americano USA Today, que faz uma enquete desse tipo todos os anos, foi um que mostrava um cachorro dálmata treinando um cavalo, ao som da música do Rocky, para que ele voltasse à forma e fosse escolhido pelo haras para uma competição. Detalhe – era um anúncio de cerveja. Mas teve de tudo – esquilos, pombos gigantes, lagartos e ratos.


Os meus comerciais favoritos foram um da Budweiser, em que vários casais se reúnem para um queijo e vinhos na casa de alguém. Mas quando os homens chegam na cozinha a gente vê que eles esconderam garrafas de cerveja dentro da bisnaga de pão e de um queijo falso. Ou seja, não abrem mão da sua cerveja de jeito nenhum.


Outro bem legal é uma promoção da Pepsi, que distribui canções em mp3 a quem toma o refrigerante. O filme mostra uma menina tomando uma garrafa do refrigerante e cada vez que ela suga o canudo o Justin Timberlake saiu voando de onde está mais para perto dela. A idéia é que quanto mais você toma a Pepsi, mais perto de ganhar a música você fica.


Também gostei de um filme da Coca-cola, que mostra 2 políticos rivais, um democrata e outro republicano que dividem bons momentos em Washington por causa da bebida. Vale destacar ainda o filme de 1 minuto da Doritos, em que a marca dá a chance de uma consumidora mostrar o seu talento em um videoclip. A vencedora, é claro, foi escolhida pelos demais consumidores, em votação na web. A presença de Doritos é meramente institucional.

Em resumo, achei o nível dos comerciais apenas mediano. Faça a sua própria avaliação no site do USA Today, clicando aqui.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Fabricantes de carros pesquisam novas cores em desfiles de moda


Deu no Wall Sreet Journal - de uns tempos para cá os desfiles de moda mais importantes do mundo têm sido acompanhados de perto pelo pessoal da indústria automobilística. Eles estão de olho nas diferentes cores usadas nas passarelas para depois transportá-las para a linha de montagem das suas fábricas de automóveis.


Apesar da maioria dos carros produzidos no mundo sair das fábricas nas cores básicas, que são branco, prata, cinza, preto, azul e vermelho, aumenta a cada ano o número de clientes dispostos a comprar automóveis de cores diferentes. Para vocês terem uma idéia, pesquisa da DuPont revelou que 39% dos americanos trocariam de marca se encontrassem um outro carro de uma cor muito bacana. Por isso, prepare-se para ver nas ruas veículos de cores como chocolate amargo, caramelo toffee, laranja, azul cobalto e preto smoking.


Esse fenômeno não é exclusivo dos automóveis. Geladeiras, máquinas de lavar, batedeiras, telefones e computadores também adotarão progressivamente cores variadas, para atender o desejo dos consumidores. Isso acontece porque o conceito de moda, antes restrito às roupas e acessórios, invadiu outros mercados. O gosto cada vez mais individualizado dos compradores e a necessidade de exibir seus estilos de vida por meio das coisas que possuem, está elevando a importância do design, hoje um elemento diferenciador tão importante quanto o desempenho dos motores dos automóveis.