sexta-feira, 30 de maio de 2008

Os shoppings têm cinemas e teatros, porque não ter também bibliotecas?

Alguns anos atrás visitei um shopping center chileno chamado Plaza Vespúcio. Entre outras coisas, me chamou a atenção um serviço que não tinha visto em nenhum outro shopping do mundo - uma biblioteca (veja foto). Não era gratuita, mas por uma mensalidade bem acessível as pessoas podiam pegar quantos livros quisessem. No Brasil os shoppings possuem teatros e cinemas, parques de diversão e jogos eletrônicos, restaurantes e lanchonetes, mas não conheço nenhum que tenha uma biblioteca.

Ajudaria bastante se eles tivessem uma. Pesquisa divulgada na 4a feira passada pelo Instituto Pró-Livro mostrou que os brasileiros adultos que não frequentam uma escola lêem apenas 1,3 livros por ano. Pior - 45% não leem livro algum (leia coluna do Blue Bus de hoje sobre esse assunto, clicando aqui). Além da falta de hábito, a falta de grana também atrapalha. Somente 21% dos entrevistados compram livros e o acesso a obras literárias por meio de compra é praticamente igual ao acesso por empréstimo particular.

Mais bibliotecas públicas e mesmo serviços como esse que o Plaza Vespúcio oferece poderiam ajudar a reverter esse quadro que entristece tanto quem ama livros, como eu, quanto os que acreditam que um país é feito de homens e livros, como Monteiro Lobato.

Um comentário:

marcelo do amaral disse...

o maior exemplo para o mundo são os colombianos. eles não colocaram bibliotecas em shoppings, mas criaram diversas bibliotecas públicas e criaram projetos em torno disso. resultado: dominuíram drasticamente os índices de violência em medellin, criou um hábito de leitura entre seus habitantes e continua ampliando o projeto. Hoje, existe um ônibus circular as pessoas se deslocarem entre as bibliotecas da cidade. de graça. se são paulo tivesse pelo menos isso, um ônibus que levasse as pessoas de biblioteca para biblioteca, nem precisaríamos ter nada em shoppings. acontece que ainda temos governos que baseiam seu interesse cultural na preservação de monumentos e acervos, e não no envolvimento das pessoas com eles.