segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Coluna da Vida Simples deste mês - Nostalgia

Ah, a nostalgia

Diga lá, você chegou a fazer pesquisa numa Barsa? Escreveu trabalhos de escola em papel almaço? Tem saudade do drops Dulcora? Pois é, recordar coisas como essas é sempre garantia de papo animado, seja numa mesa de bar, seja na casa de um dos meus velhos amigos.

Não há dúvida de que a nostalgia é um sentimento poderoso. Para Rolf Jensen, autor do livro ‘The Dream Society’, ainda inédito por aqui, a sensação de que perdemos o controle sobre a velocidade das mudanças e o medo do que virá fazem com que progressivamente nos voltemos para o passado – ou pelo menos para a fantasia idealizada do que acreditamos que tenha sido o nosso passado. Não é a toa que as livrarias estão cheias de publicações dedicadas às lembranças das novelas, propagandas e produtos de antigamente. A economia da nostalgia, impulsiona ainda festas temáticas dedicadas às músicas dos anos 70 e 80 e a audiência de desenhos e seriados antigos.

Segundo o cientista norte americano Robert M. Sapolsky, esse fenômeno é causado por uma característica da própria natureza humana. Para ele, todos nós, depois de determinada idade, nos fechamos às novidades e simplesmente passamos a repetir padrões de comportamento. Sapolsky chegou a essa conclusão depois de fazer uma pesquisa para entender por que os jovens não se fixam em gostos musicais, gastronômicos ou de vestimentas, variando constantemente de estilo. Estudando fenômenos tão prosaicos quanto a programação de emissoras de rádio voltadas para flashbacks, restaurantes japoneses e lojas de piercing, o cientista descobriu que nossas preferências se definem na juventude, quando testamos várias opções como parte do processo de construção do nosso repertório de escolhas. Depois dos 40 anos, na esmagadora maioria das vezes nos fechamos às novas experiências, limitando-nos a repetir as mesmas roupas, restaurantes, bandas e marcas, de acordo com Sapolsky. É como se voltássemos às origens, agindo como as crianças que assistem incontáveis vezes ao mesmo desenho sem perder o interesse. O curioso é que Sapolsky não se deteve na análise das atitudes de consumo de jovens e adultos, extrapolando seu raciocínio para o campo das idéias. Relembrando a trajetória de gênios, como Albert Einstein, que combateram ferozmente novas teorias que não desmentiam e até complementavam suas teses, ele afirma que também as convicções se consolidam na juventude, dificilmente se modificando com a idade. Em outras palavras, todas as discussões entre pessoas com pontos de vista divergentes seriam inúteis na maturidade, em função da nossa incapacidade de mudar de opinião depois dos 40.

Moral da história: se você já passou dos 40, curta sem remorsos suas as lembranças do passado. Mas tente ao mesmo tempo não se fechar para as maravilhas do presente nem para as possibilidades do futuro.

Luiz Alberto Marinho é publicitário e tem saudade dos tempos em que era apenas um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones.

3 comentários:

Monica disse...

Oi Marinho,
É sempre muito bom rever "velhos" amigos e ver o quanto eles estão bem e felizes. Sempre que posso acompanho suas peripércias e adoro. Parabéns
Beijos,
Monica
(Pejota-BA)

Luiz Alberto Marinho disse...

Olá Mônica, que bom ouvir notícias suas! Mande um email com suas direções!

Jordao disse...

Referente ao texto, ele ficou grudado na minha cabeça neste final de semana. Sempre vi o saudosimo não como uma coisa boa, mas como algo limitado. E creio que o texto deixa isso claro. Ok, o passado é bom, mas e o novo? Dá trabalho refazer nossos conceitos, dá trabalho olhar o "novo" de uma forma "não saudosita" (pega aí o funk, pancadão, roupas estranhas, cabelos moicanos, peircings, butox nos labios, raves, ....). Um amigo meu brincou, disse que eu queria era estar sempre na "crista da onda". Pode ser, é bom estar na crista da onda, mas de forma consciente. Ou como disse outro amigo: "quem vive de passado é museu".